terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Paris é a cidade mais visitada da Europa, porém não necessariamente a mais legal. Existe gente que acaba visitando a capital francesa pela reputação e não pelo interesse em conhecer de fato o que há lá. E tem gente que, como eu, acha "o que há lá" nem um pouco interessante. Quero expor aqui alguns motivos pelos quais eu acho Paris mais perda de tempo [e dinheiro] do que diversão.

Veja bem, este post é uma opinião pessoal minha e tem por objetivo sugerir aos novos turístas uma visão mais aberta em relação às opções de cidades interessantes que a Europa oferece. Me baseio em coisas que eu mesma vivi e que escutei de amigos que tiveram experiências similares. Lembro também que sou estudante e pobre e minha opinião pode ser completamente dispensável em caso de o leitor pertencer às altas classes da sociedade.

Bom, o primeiro e principal fator contra Paris é o preço. Novidade, né? Hostels (não comentarei hotéis) geralmente têm uma diária bem alta e mesmo que você ache algum com preço relativamente ~pagável~, ele provavelmente vai ser um hostel com uma localização um tanto quanto desfavorável (e aí você gastará dinheiro com o transporte público da cidade, que será comentado no próximo ítem). Mais uma dica: não pense em ter fome ou sede perto do Arco do Triunfo e da Champs Elisèe, porque você vai ter que dar um dedo para comprar uma água. Ah, banheiro é sempre pago em qualquer lugar.

Ser uma cidade altamente turística significa lotada. E isso quer dizer: transporte público lotado, hospedagens lotadas em datas especiais, mais furtos e, consequentemente, mais mercadorias caras que fazem os turistas gastarem todo o seu dinheiro. Vai encontrar dificuldade em: comer em lugares mais baratos (como McDonalds e outros fastfoods) por estarem cheios, em tirar fotos sem que ninguém desconhecido saia nela, fazer trips pela cidade em bicicleta, roler, skate e até mesmo carro. Você vai pegar filas. 

Sujeira. Esta é mais uma das consequências, creio, do fato da cidade ser cheia. Em alguns lugares, a cidade até mesmo pode feder. E POSSO PROVAR: vá à estação da Eurolines (companhia de ônibus que circula por toda a Europa) e fique ali 5min.

Você já sabe grande parte das coisas que vai ver. Por ser tão popular, todo mundo já ouviu falar da Torre Eiffel (que é uma torre bem grande, de fato, e é isso aí), do Palácio de Versalhes, do quadrinho da Mona Lisa no museu do Louvre, de Notredame (que é uma IGREJA), do Arco do Triunfo, etc. As surpresas serão bem menores do que visitar uma cidade completamente nova.

Todas as situações que mencionei acima são fatores que deixam a cidade menos interessante, não? São problemas comuns em grandes cidades do mundo todo e bem evidentes em Paris. Os tomo como exemplo para desmitificar um pouco esse romantismo acerca da capital da França e os menciono como motivos consideráveis para pessoas que estão em dúvida para onde viajar na Europa e tem disponibilidade limitada, de alguma forma.

Cidades como Roma, Barcelona e Londres, que compartilham de características e problemas semelhantes, acabam se tornando lugares mais agradáveis pelas pessoas ~não-rudes~ ali vivem.

Mas, como isso aqui não é nenhum veículo de comunicação corrompido por interesses financeiros maiores, aí vão razões por que você deve, ou pode, ou pode vir a querer visitar esta francesinha pomposa (sim, dentro dos casos abaixo, você tem a minha ~benção~).

“Você fala francês, ou aprende, ou vai lá para aprender”. Vai pra Paris, meu filho. Vai poder praticar a língua, ter oportunidade de conhecer gente do mundo todo e, para os casos de intercâmbio, conhecer melhor e mais profundamente a cidade (e assim, talvez podendo acabar com todos os argumentos que dei para não visitar a cidade).

“Seu sonho da vida inteira foi visitar Paris.” Se eu ainda não consegui acabar com o seu sonho até aqui, então você deve ir a Paris. Vá! Liberte-se! Rompa das amarras do cotidiano e da rotina e obedeça a voz do seu coração. Vá subir na Torre Eiffel e se deleitar com a magnifica vista que vale cada centavo dos 15 euros pagos.

“Você conhece alguém lá.” Bem razoável, não?

Como eu não me encaixo em nenhuma das opções acima, aproveito, portanto, para sugerir cidades que considero tão bonitas e culturalmente ricas quanto Paris. Elas são: Budapeste, Praga, Edimburgo e Florença (Hungria, Rep. Tcheca, Escócia e Itália). Todas consideradas turismo secundário na Europa, mas não menos interessante. [Já fiz um post sobre Praga, ele pode ser lido aqui]

Mesmo assim, tem gente que foi pra Paris e amou. Essas pessoas são bem-vindas a escrever para este blog por que suas experiências na capital francesa foram bacanas e dar dicas sobre.

Para terminar, explico por que eu fui parar em Paris. Para sair da Península Ibérica de trem para destinos como Alemanha, Benelux ou Reino Unido é necessário parar em Paris para trocar o trem. Paris tem umas 348903802 estações gigantescas. Eu acabei parando por lá 2 vezes, uma de um dia e outra que eu tive que passar a noite. Nenhuma das vezes eu pretendia ficar em Paris, queria simplesmente trocar de trem e seguir o meu destino o mais rápido possível, mas como era verão – e no verão o tráfico de gente entre os países aumenta – era difícil demais tomar um trem de longa-distância sem ter feito reserva com semanas de antecedência. E foi assim que eu não tive escolha.




Caculadoras de tarifa de taxis em diversas cidades do mundo:

Taxi Fare Calculation
Taxi Prices - este não faz os cálculos, mas disponibiliza alguns preços aproximados para trajetos comuns, além de outras informações como onde encontrar os taxis na cidade, por exemplo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Viajar dentro da Europa pode ser bem barato. Ou não. É necessário pesquisar muito entre os sites de diversas companhias de transporte a fim de descobrir a forma mais barata de viajar. O preço pode variar não só em função do meio de transporte, como também da empresa que transporta, data, origem, destino e horário.
Para auxiliar na pesquisa e na comparação de preços, elaborei uma lista de links de empresas de transporte com comentário.

Avião (selecionei somente as companhias low-cost):

- Ryanair - vôos muito baratos, aeroportos em quase todos os países da Europa Ocidental.
- Wizzair - vôos baratos, aeroportos principalmente no centro e leste europeu.
- Easyjet - não tão baratos como os de acima, grande número de aeroportos.
- Vueling - grande número de aeroportos na Espanha e em Portugal.
- Skyscanner - não é companhia, mas eles encontra as tarifas mais baratas entre as companhias. Eu não confio muito, mas para o caso de vôos muito específicos, pode ser que ele ajude!

Atenção às promoções. Elas são o jeito mais barato de viajar.
Cuidado com as taxas de cartão de crédito e com as restrições de bagagem.
Quem quiser compartilhar com mais links, sempre é bem-vindo a participar.
Outras companhias aéreas europeias que também se encaixam em "low-cost": Germanwings, Iceland Express, Aer Arann, Air Baltic, Air Berlin, entre outras.


Trem (não é barato viajar de trem):

- DB Bahn - A companhia de trem da Alemanha. Embora a companhia funcione somente na Alemanha, o site deles é o MAIS eficiente para encontrar trens por toda a Europa! Eles têm dados de trens de quase todos os países e ainda permitem que se escolha "somente trens locais" (no caso de utilizar um passe Eurrail, Interrail*, ou algum outro passe que seja válido em uma região específica) ou todos os trens (incluindo os trens de longuíssima distância ou super-rápidos que necessitam de reserva antecipada). Enfim, para encontrar rotas internacionais, é nesse site.
- Rail Europe - site para reserva de trens antecipadas. Você só vai necessitar este tipo de serviço se o trem for internacional (trechos que não possam ser feitos com trens locais). Reservas também podem ser feitas na própria estação de trem**.
- SNCF - trens na França.
- Renfe - trens na Espanha
- Trenitalia - trens na Itália
- Virgin Trains - trem no Reino Unido
- Polrail - trens na Polônia
- NS - trens nos Países Baixos

* Eurail e Interrail - são passes de trem que possibilitam diversas jornadas em um dia ou diversos dias, em um país ou diversos países. O Interrail é somente para cidadãos da Europa (não necessariamente UE) ou residentes há mais de 6 meses (com carteira ou algum documento de residente, portanto). Logo, o Eurail é o passe dos não europeus.
Este último deve ser feito antes da chegada na Europa, pois lá NÃO é possível fazê-lo (ou então ele pode ser enviado por correio). Além disso, é importante verificar os prazos de validade do bilhete, para que não vençam na época em que for ser validado (já no continente europeu). Infelizmente, ele também é um passe bem mais caro e limitado que o Interrail. O Eurail pode ser feito em agências de viagem ou mesmo pela internet.

Ônibus (low-cost):
- Megabus - empresa presente no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Através das promoções se consegue preços muito baratos.
- Eurolines - presente em muitos locais na Europa.
- Alsa - onde a Eurolines não alcança. Empresa de ônibus em Portugal e Espanha.

Ônibus de viagem tomei somente com estas três companhias, portanto não tenho conhecimento de outras de baixo custo.

Espero que sejam dicas úteis para quem vai viajar. Hasta luego!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


Fazem dois dias que voltei de Copenhagen. Sexta-feira de manhã alugamos um carro aqui na Alemanha e conduzimos por 7 horas rumo à capital da Dinamarca. Foram sete horas bem interessantes, levando em conta que foi a primeira vez que andei de carro na Alemanha. Além disso, as estradas são excelentes e eu não estava dirigindo.
Após cruzar a fronteira, o caminho fica ainda mais bonito. A Dinamarca é composta por ilhas, portanto cruzar as enormes pontes que cortam os estreitos do mar do Norte ao anoitecer (lá pelas 16h) pode ser deveras agradável.
Fazia um frio do do diabo (venta muito!) e os preços não são muito amigáveis. Mesmo assim, no curto tempo do fim de semana, conseguimos aproveitar a cidade e algumas das atrações turísticas [baratas].
Abaixo vão as sugestões do que ver na cidade. Basicamente um levantamento das coisas que eu fiz e que são padrão estudante [pobre].

- Walking tour: essa parece uma dica meio óbvia, já sei. Não são em todas as cidades que eu faço walking tour, mas quando se tem pouco tempo para ver muitas coisas, é sempre bom fazê-lo. Este em particular gostei muito, já que o guia contou brevemente a saga dos vikings, as proezas (que eu não sabia que haviam sido tantas) e as desgraças ocorridas ao longo da história do povo dinamarquês. Além disso, é gratis.

- Visita à fábrica da Carlsberg: recomendo a fábrica da Carlsberg assim como recomendo a fábrica da Heineken em Amsterdam. Para quem gosta de cerveja, vai ter a oportunidade de saber um pouco mais sobre o [bróder] Jacobsen, o senhor inventor da Carlsberg e de outras tantas marcas (inclusa uma das mais caras do mundo). A lojinha de souvenirs também é legal, e é possível comprar a cerveja.

- Christiania: para quem nunca ouviu falar, Christiania é uma comunidade independente dentro de Copenhagen. Em 1971, anarquistas, hippies, idealistas e artistas ocuparam uma região no subúrbio da cidade como forma de protesto contra o governo, iniciando assim, o que seria  hoje a comunidade Christiania, inspirada por ideais anarquistas.
Bom, a entrada nesta comunidade é livre. As casas são rústicas e é possível ver acampamentos em alguns locais. Nesta comunidade, a venda de cannabis é permitida, porém o uso de drogas fortes (como a heroína) é proíbido. Também é proibido tirar fotos, correr, porte de armas de fogo ou utilizar qualquer tipo de fogos de artifício. Os mercadinhos me lembraram um pouco de Camden Town, em Londres.
Enquanto caminhamos pela Pusher Street, existem grupos de "seguranças" do lugar, compostos por moradores. Eles ficam vigiando e gritando para os turistas desobedientes que é proibido tirar fotos. Não são muito simpáticos, de fato. Além disso, os vendedores de cannabis espantavam os turistas que vinham só de curiosos olhar suas ofertas, abrindo espaço para os clientes ~sérios~.
Existe uma certa tensão no ar que deixa a comunidade menos confortável [Diferente da tranquilidade de Amsterdam, onde a cannabis também é ~legal~]. Parece que estão, ou talvez de fato estejam, esperando que a qualquer minuto a polícia invada a rua e leve todos presos. Mesmo assim, as os visitantes não se intimidam e não deixam de caminhar pela comunidade.
A arquitetura pitoresca, os ideais anarquistas, a história e o mercado barato (diferente de Copenhagen) e outras curiosidades trazem famílias, crianças, velhinhos e todo o tipo de gente para conhecer. Infelizmente, só consegui tirar fotos da entrada e da saída, uma vez que avançar em direção ao bairro com a câmera na mão não seria possível. Aliás, em uma das saídas da cidade, há um letreiro bem grande escrito "você está voltando para a União Européia".


- A pequena sereia: o escritor desse conto é dinamarquês, então há uma estátua de sereia na beira do mar. Nada demais, mas o caminho até lá, ao lado do porto, é bem tri.

- Museus: são dois, o National Museum e o Viking Ship Museum. O primeiro é grátis, o segundo tem uma taxa pequena. Não consegui encontrar tempo para visitá-los, infelizmente.

- Noite: passamos duas noites em Copenhagen. A primeira noite, que eu só fiquei pelo centro e depois voltei pra casa, meu amigos foram num bar chamado Meat Market. Dizem que comparado com os outros preços da cidade, esse Meat Market é ~pagável~. 
Na segunda noite, e esta eu fui, fomos ao bar Rhino. Fomos levados para este bar por amigos dinamarqueses que encontramos através do CouchSurfing. Gente boa, todos eles! Sobre o bar, não é necessário pagar para entrar e quem quiser, apesar do espaço, pode dançar. Além disso a bebida não é tão cara como outros bares famosos da cidade, acho que vale a pena.
Aliás, foi nesse bar que vimos uma BRIGA VIKING! Tá, na verdade, foi uma briga normal. Começou com dois caras, um muito grande e um mais ou menos pequeno. Depois a briga foi se espalhando e quando vimos, já tinham uns 10 participando. Todos chamando uns aos outros na chincha. O ~evento~ durou uns 15 minutos e depois tudo voltou ao normal. Nossos amigos dinamarqueses ficaram nos pedindo desculpas e dizendo que isso não costumava acontecer com frequência, mas a verdade é que achamos bem legal. 

Domingo pela manhã recolhemos nossas coisas e voltamos a Alemanha. Existe duas formas de cruzar a fronteira, uma pela estrada (que foi como viemos) e outra pela balsa. A volta fizemos de balsa, para economizar gasolina e ver como é.

Finalizando com algumas curiosidades sobre a Dinamarca:
  • A rainha da Dinamarca que traduziu o livro do Senhor dos Anéis de inglês para dinamarquês.
  • Os dinamarqueses brindam com a palavra "skol", que significa o mesmo que "skull" em inglês (crânio). Essa expressão vem de uma antiga atividade viking que consistia em arrancar a ~tampa~ e o cérebro da cabeça dos seus inimigos e BEBER CERVEJA ali mesmo. Então eles levantavam os seus ~copos~ e diziam "skol". ---- "Saúde" é coisa de mulherzinha. "Tim-tim" então...
  • Os vikings chegaram na América do Norte 600 anos antes de Cristóvão Colombo.



Chegando em Copenhagen, nos deparamos com bicicletas. Para todos os lados, de todos os tipos, tamanhos, número de passageiros, cores, estacionadas ou guiadas, novas ou velhas. Claro que esta não é a primeira vez que vejo tantas bicicletas. Aqui na Alemanha as pessoas utilizam muitissimo e também não me lembro de ver mais bicicletas juntas do que Amsterdam. Mas o fato é que Copenhagen também mantém o trânsito de bicis muito grande e uma vez lá, passei a refletir na possibilidade de um brasileiro percorrer todos os dias 20km de bicicleta para ir ao trabalho, assim como fazem os dinamarqueses, holandeses e tantos outros.

É sabido que no Brasil pouquíssimas pessoas utilizam a bicicleta como seu meio de transporte diário. Isso não só é culpa da nossa falta de vontade, mas também da falta de segurança para o ciclista nas nossas cidades com menos estrutura e com motoristas menos respeitosos. O Marcos costuma dizer que país que é desenvolvido pode ser reconhecido pela quantidade de bicicletas. Até agora a teoria dele deu certo, na minha opinião.

Abaixo, um vídeo de 6 minutos sobre o trânsito de bicicletas em Copenhagen, um exemplo para cidades do mundo todo:

Fotos de Copenhagen já estão sendo adicionadas ao meu Tumblr: laurabarros5.tumblr.com :)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A cidade onde eu vivo aqui na Alemanha se chama Paderborn. É uma cidade pequena - uns 160 mil habitantes - localizada na província de Nordrhein-Westfalen, ao noroeste do país. Nesta mesma província estão situadas algumas cidades conhecidas da Alemanha, como Colônia, Düsseldorf, Dortmund e Hannover. Nordrhein-Westfalen também faz fronteira com os Países Baixos e a Bélgica.

São duas as cadeiras que eu faço na Universidade de Paderborn, ambas lecionadas em inglês. Uma se chama "Comparative and International Employment Relations", que, como diz o nome, faz uma comparação das relações de trabalho e tendências econômicas entre diversos países, e a "Gamespiel", que, separados em grupo, os estudantes realizam uma simulação de mercado, lançando, modificando e vendendo produtos em um setor específico. As aulas de alemão, que também terão os créditos aproveitados, tomam a maior parte do meu tempo. São entre 3 a 4 vezes por semana, 2 horas cada aula, no mínimo.

Durante a semana procuro estudar, fazer algum tipo de exercício físico, atividades ~do lar~ (como ir ao super, lavar a roupa, limpar a casa e cozinhar), sair de noite pelo menos uma vez, etc. Os clubes noturnos aqui não são muitos, não são necessariamente legais e tampouco gratuitos. Para suprir a falta de entretenimento noturno, as próprias faculdades e o Eurobis (um setor da uni composto por alunos, responsável por "cuidar" dos alunos internacionais) organizam festas evetualmente.

Eu costumava andar de roller durante às tarde e aos finais de semanas no início do semestre. Parei, mas só porque começou a fazer muito frio. Não é mais tão agradável ficar do lado de fora. Porem, os rollers que eu comprei vou levar para o Brasil com certeza. Cinema e bares aqui em Paderborn me parecem opções um tanto difíceis. O cinema porque todos os filmes são dublados e eu ainda não tenho nível de alemão para entender um filme inteiro. Já os bares, porque a cerveja é limitada e absurdamente mais cara comparada com a cerveja que se pode comprar no super. E eu sempre compro cerveja no super. Admito que entretenimento não é um ponto forte de Paderborn, embora a cidade seja bem agradável. Tem muita infra-estrutura mesmo com tão poucos moradores, não é perigosa, fácil de ir para qualquer outro lugar e bonita. 

Como é fácil de viajar, normalmente não fico em casa nos findes. Às vezes passo o dia em alguma das cidades da província, às vezes saio de viagem por 3 ou 4 dias para outros países. Difícilmente passo mais do que 4 dias fora de Paderborn (desde setembro), em função da presença em sala de aula obrigatória no alemão.

Vivo aqui há quase 5 meses. Faltam menos de 2 meses para eu voltar para o Brasil e somente agora resolvi postar sobre a Alemanha... Antes tarde do que nunca! Ressalto que tem sido muito bom viver aqui, que estudar alemão é muito interessante e que a Universidade de Paderborn tem muita qualidade.

Dois fins de semanas atrás, eu e o Marcos fomos à Polonia - algo que devo contar em posts futuros. Já no próximo fim de semana, eu, o Marcos e o Leo vamos a Copenhagen, na Dinamarca. Trarei algumas novidades se possível.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Passei este último fim de semana na cidade de Praga. Embora isso já fosse esperado, não posso deixar de registrar o quão linda, agradável e interessante é a capital da República Tcheca, que consegue não somente divertir com muito boa cerveja, mas também comover com seu passado que pertenceu outrora a países alheios.
De fato, é bom reservar um tempo da viagem para ouvir as histórias que os tchecos tem a contar sobre diferentes períodos que o país já vivenciou, como a separação com a Eslováquia, o fim do comunismo, a tomada pelos nazistas e a presença na Segunda Guerra, e demais fatos históricos marcantes. Sei que posso estar ressaltando algo óbvio, porém faço lembrança que Praga é uma cidade onde a cerveja custa muito barato e é de altíssima qualidade, o que pode resultar na perda de muitas horas no bar. Felizmente eu não me permiti cair em tentação. Eu juro.
As principais atrações da cidade estão todas a "walking distance", ou seja, pode-se ir caminhando, porém pode ser importante aprender como tomar algum dos "street car" (ou trolleys, que são aqueles bondes urbanos), pois dessa forma se economiza muito tempo. Falando em tempo, eu passei dois dias e uma noite em Praga e achei pouco. Recomendo três dias para que se possa ver tudo (todos os museus, todo o castelo, a cidade velha, a cidade nova, enfim, conferir o que a cidade te oferece) além de desfrutar de momentos de lazer (falo dos parques, bares, fazer compras, etc.).
O verão de Praga pode ser bem quente - como 30ºC e um sol de matar - por isso considero que a melhor época de visita seja o inverno: há neve, a cidade fica mais bonita, mais barata e há menos turistas.
  • Contruções importantes:
Iniciemos, portanto, pelo Castelo de Praga, considerado o maior do mundo, que está um pouco afastado do centro da cidade, mas de visita indispensável. Fundado no século IX, o castelo tem um aparência incomum e não muito esperada quando se utiliza a palavra "castelo". Está mais para um ajuntamento de prédios históricos que circundam igrejas. Isso provavelmente se deve à quantidade de vezes que foi reformado e reconstruído, tomando uma aparência mais recente e de traços clássicos ao longo da era moderna e posteriormente na contemporaneidade.
Dependendo do tempo disponível e do dinheiro que se quer gastar, se podem comprar tickets diferentes, para conferir um número diferente de atrações. O ticket de visita completa custa por volta de 14 euros e pode tomar aproximadamente quatro horas. Já a visita curta custa por volta de 10 euros e dura umas duas horas e meia. Há descontos para estudantes. Veja a lista completa de preços aqui.
Existem atrações grátis no castelo, como os jardins reais, todo o pátio e a possibilidade de ver o castelo por fora, a troca da guarda, parte da catedral São Vito e exposições que possam estar acontecendo nos museus ali presentes.
O que eu acredito que vale a pena pagar no castelo (mas que eu não paguei igualmente, pois optei pela trip grátis):
- Antigo Palácio Real
- Exposição da História do Castelo
- Torre de Pólvora
Não recomendo que se pague para ver (deixo claro que é a minha opinião):
- a catedral, pois gratuitamente se vê grande parte da igreja.
- a basílica, pois é outra igreja e existem outras igrejas interessantes pela cidade.
- a Torre Sul da catedral, pois é possível obter uma vista melhor da cidade através da Torre Petrin, e também  porque ao lado da escadaria do castelo já se consegue ter uma vista bacana.

Depois do Castelo, os próximos são o Monastério Strahov e a Torre Petrín, que estão ali perto. Quanto ao monastério, eu não fui, mas para chegar na Torre Petrín, é necessário tomar o funicular que sai da rua Újezd, não muito longe do castelo. Para entrar e admirar a melhor vista da cidade, é preciso pagar 6 euros.

Saindo da torre, já se pode cruzar o rio Vltava através da ponte mais bonita e famosa de Praga: a Ponte Carlos. Essa ponte, que teve sua construção iniciada no século IV pelo rei Carlos IV, demorou por volta de onze séculos para ficar pronta e, a partir de então, decorada com as estátuas barrocas que ali se encontram.

Por último e não menos importante, o famoso relógio astronômico Orloj, localizado no coração da Cidade Velha. O relógio é realmente muito bonito e interessante, de forma que se pode ficar ali uns bons minutos tentando entender o funcionamento deste. Ao final das contas, até agora tento entender o relógio. A cada hora o relógio faz uma apresentação mecânica que pode se tornar mais interessante ao saber o significado dos personagens ali representados. De qualquer forma, aproveite para conhecer a praça da Cidade Velha e as redondezas.


  • Museus:
Para quem tem interesse em história natural, o imponente Museu Nacional, situado muito próximo à estação de trem, pode ser uma boa idéia. Este está aberto todos os dias, entre 9h-17h. Outro, que obviamente não podia faltar, é o Museu do Comunismo, localizado próximo ao Museu Nacional e aberto todos os dias, mesmo feriados, das 9h às 21h. Existem museus dentro do Castelo de Praga e também na Sinagoga Pinka, que será tratada mais adiante.
  • Igrejas e Sinagogas:
A igreja Nossa Senhora Vitoriosa é a igreja que abriga a famosa imagem do Menino Jesus de Praga, sendo, portanto, destino de um forte turismo religioso. Outra igreja, porém, me chamou muito mais atenção. Confesso que não sou muito fã de visitar igrejas - especialmente as pagas - mas geralmente acabo fazendo, a fim de ver o que há de arte dentro. De fato, a igreja de Santiago (Saint James) me interessou pela forma pesada com que as imagens barrocas compõe o interior da igreja, bem fascinante. Outro detalhe curioso é um braço humano que está pendurado do lado oposto ao altar (sim, um braço humano de verdade!) desde a Idade Média. O braço está ali, somente em ossos ou talvez menos que isso, pendurado através de uma corrente.
A sinagoga mais turística da cidade está basicamente na entrada do bairro judeu e se chama Sinagoga Espanhola. Ela possui uma arquitetura mourisca, similar ao estilo encontrado na Espanha, porém mais atual. Infelizmente, quando fui ao bairro judeu já estava tarde e não pude entrar nas sinagogas. 
Merece especial destaque a sinagoga Pinkas, que hoje tem como exposição permanente os "Desenhos de Crianças do Teresín 1942-1944", lembrando que no campo de concentração de Teresín, entre essa data, encontravam-se mais de dez mil crianças. São mais de quatro mil desenhos originais ali expostos. Veja mais sobre esta sinagoga aqui.
  • Lazer:
Falemos de cerveja. Melhor do que cerveja de alta qualidade, é cerveja de alta qualidade + servida em bar por um preço barato. Os dois pubs que me parecem mais legais na cidade são o The Pub e o Beer Museum, os dois com propostas diferentes. O Beer Museum tem uma grande variedade de chopps (eu nunca vi variedade maior, para falar a verdade), são aproximadamente 20 torneiras, cada uma com uma marca de cerveja diferente e o preço aproximado de EUR 1,50 por cada 500ml. Além disso, é possível fazer "degustação", pois eles vendem a medida de 150ml também.
"Se o Beer Museum é assim, porque eu iria ao The Pub?" me perguntei, ingenuamente, antes de saber como funcionava o The Pub. A resposta foi simples: torneira de Pilsener na mesa. A torneira permite que o cliente se sirva quanto quiser, da forma que quiser (elegindo o tamanho do colarinho branco no copo), enquanto um medidor eletrônico conta quantos litros estão sendo bebidos na mesa. Através desse medidor eletrônico, também é possível separar comandas - caso a conta seja paga separadamente - pedir música no jukebox e fazer algum pedido do menu. Tudo ali, na própria mesa. O preço de cada 500ml de Pilsener também é EUR 1,50 aproximadamente.

Muitos dizem que Praga é uma cidade barata. Em relação a serviços, verdade. Em relação a compras, nem tanto. De fato, demorei para encontrar um lugar onde pudesse encontrar um chaveiro que custasse menos que 4 euros. Felizmente, encontrei (através da dica de um amigo) uma feirinha de artesanato na rua Havelská (muito perto da Praça da Cidade Velha) bem barata, que considerei o melhor lugar para comprar souvenirs. Para compras de roupas, sapatos e acessórios de marcas conhecidas, as lojas da rua Dlouha dão conta.

Para finalizar, pode ser interessante andar de barco a remo ou pedalinho no rio Vltava. Custa por volta de 6 euros por hora e os locais para aluguel estão localizados perto da ponte most Legii.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma vez que se está no continente anglo-saxão, é bom aproveitar para conferir os concertos de atrações internacionais que aconteçam em localidades próximas - especialmente porque na América do Norte esse tipo de show custa normalmente muito mais barato do que custa no Brasil. Na cidade de Toronto, no Canadá,  especialmente no verão, a frequência de concertos é relativamente grande, portanto, é importante estar atento às novidades que chegam à cidade.

Além de ser o lar dos Maple Leafs (time de hockey) e dos Toronto Raptors (basquete), Air Canada Centre, localizado na Bay Street, número 500, geralmente abriga os grandes espetáculos da cidade. Para os meses de agosto e setembro, shows como Foo Fighters, Kings of Leon, Britney Spears e Pearl Jam já estão confirmados.

Para ver a programação completa do Air Canada Centre, clique aqui.

Air Canada Centre

Opera House de Toronto, que teve seu prédio fundado em 1909, além de concertos de musica, também tem uma programação cultural forte. Pode ser localizado no endereço Queen Street East, número 735 e o site oficial do local pode ser acessado aqui.

Quem serve de lar para bandas menores, locais e de menor público é o Kathedral, localizado na Queen Street West, nº 651. Quando não há show, há festa, pois o Kathedral também é um nightclub, de cunho alternativo e voltado para o rock. As informações do local podem ser encontradas em sua página do facebook.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Muitas pessoas sequer ouviram falar da Galícia, uma das regiões da Espanha com menos turistas. Eu, como realizei meu primeiro intercâmbio acadêmico lá, decidi que seria interessante fornecer algumas informações sobre essa comunidade autônoma, destacando alguns pontos e cidades que considero conveniente a visita.
Embora seja uma região não tão popular como outras, não quer dizer que a Galícia não tenha o que oferecer ao turista. Deste o litoral exuberante, até contruções celtas históricas de arquitetura singular, a comunidade autônoma conta com certas particularidades que encantam a qualquer um que as vê. Antes de mais nada, situemos a Galícia no mapa para posteriormente falarmos dos pontos turísticos.
A região localiza-se ao noroeste da península Ibérica e faz fronteira com o Atlântico, com o norte de Portugal, e com o oeste das regiões espanholas de Asturias e Castilla y León. É composta por quatro províncias: Ourense, Pontevedra, A Coruña e Lugo. Veja o mapa abaixo:


1 – O Caminho de Santiago
A cidade de Santiago de Compostela na Galícia é a capital da comunidade autônoma e também é destino de milhares de peregrinos que realizam o Caminho de Santiago todos os anos. A história dessa peregrinação inicia na Alta Idade Média, mais precisamente entre 820 e 835, quando houve o suposto descobrimento da tumba do apóstolo de Jesus, Santiago. A partir daí começaram a chegar peregrinos vindos de todo o mundo e criando, assim, uma série de itinerários chamados de “Caminhos de Santiago”. Dentre os mais importantes estão o caminho francês, o caminho português e o caminho inglês.
Santiago é, portanto, a cidade que mais recebe turistas na Galícia.

Parte do trajeto do caminho fracês.

A peregrinação hoje não tem somente cunho religioso – embora ainda muito grande, pois a tumba de Santiago ainda encontra-se na Catedral da cidade – mas também de aventura e conhecimento. Destaco o Caminho aqui não somente pelo fato de ser popular mundialmente, mas também pela possibilidade de se ver grande parte da Galícia durante o percurso e, consequentemente, um pouco da Espanha Verde – que é bem diferente dos conhecidos campos áridos do centro-sul do país.
Mais informações sobre o Caminho de Santiago aqui, aqui e futuramente neste blog!

2 – Ilhas Atlânticas de Galícia
Pertencentes ao Parque Nacional das Ilhas Atlânticas de Galícia, o arquipélago das Islas Cíes autêntico paraíso natural localizado na Ría de Vigo. Uma de suas praias, “Roda”, foi destacada como a melhor praia do mundo pelo jornal “The Guardian” no Reino Unido em 2002. Juntamente com as Cíes, existem outros três arquipélagos que formam o Parque Nacional: Ons, Sálvora e Cortegada.

Foto tirada do ponto mais alto das Islas Cíes

A forma mais comum de chegar às Islas Cíes, e aos demais arquipélagos, é tomar o transporte marítmo que sai do porto dos passageiros, na cidade de Vigo. O bilhete de ida e volta custa cerca de EUR 18,00 por pessoa e o transporte sai em diversos horários por dia. O Parque Nacional das Ilhas Atlânticas de Galícia está aberto somente durante o verão e alguns feriados. Veja mais detalhes sobre o Parque aqui.

3 - Termas de Ourense
Ourense é a capital da província homônima e uma das cidades mais bonitas da Galícia. Além disso, é muito conhecida como "a cidade das burgas". As burgas são os mananciais de águas termais, entre 60º e 68ºC e com princípios medicinais, que podem ser encontradas no centro histórico de Ourense.
Em relação às termas, existem termas públicas (chamadas Pozas) e privadas. Dentre as privadas, as mais conhecidas são as Termas de Outariz e a Termas Chavasqueiras, onde é possível encontrar, além das termas em si, tratamentos de beleza, spa, massagem e temperatura da água regulada. Em ambas, a entrada básica custa por volta de 5 euros. Já as Pozas são gratuitas porém não possuem a mesma estrutura dos resorts citados acima.

Poza A Chavasqueira


Burga. É comum ver idosos lavando as mãos e o rosto nas burgas, devido às propriedades medicinais da água.

A forma mais fácil de se chegar às termas é tomando um trem turístico na cidade de Ourense mesmo denominado "Trem das Termas". No site dos resorts é possível encontrar mais informações sobre transporte e localização.

4 - A Torre de Hércules
A Torre de Hércules é a construção mais antiga de A Coruña, é patrimônio mundial da UNESCO e está localizada aproximadamente 2km e distância do centro da cidade. É um monumento nacional que até hoje serve de farol de navegação. Foi construída no século II pelos romanos na cidade de Bringantium e recebeu a denominação em virtude de uma lenda contada sobre Hércules, que em socorro ao povo de Bringantium, derrotou o rei gigante Gerión e enterrou sua cabeça e levantou a Torre de Hércules como túmulo.
Embora continue a ser um farol, a Torre é aberta a visitação e custa provavelmente 4 euros para entrar. Além do museu que há dentro, vale a pena pagar e subir os 242 degraus para ver desde lá de cima o mar bem verde, os rochedos que cercam o farol e a cidade de A Coruña. E, mesmo que não se entre, a ida até a Torre é válida para conferir a paisagem do local!


5 - Muralha de Lugo
A muralha de Lugo, construída no século 3 pelos romanos, tem 2km de comprimento e é patrimônio da humanidade. É a muralha romana com a melhor conservação do mundo! É possível subir o muro e ver a cidade desde cima (são 10m de altura), de forma a admirar o contraste existente entre a cidade velha e a nova. Pode ser agradável também caminhar ao lado da muralha, conferindo as suas 10 entradas e fazendo um passeio completo no centro histórico de Lugo.



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Divido o apartamento com espanholas. Excelente, considerando que adiquirirei fluência na língua provavelmente antes do que os outros estudantes de intercâmbio. Venho praticando todos os dias os dois idiomas (castelhano e galego) e assumo que em duas semanas progredi muito: antes eu não entendia ninguém e hoje, por exemplo, as aulas da faculdade são claras como água para mim.
Rocio, Vero e Vane são as meninas com quem vivo. A Rocio e a Vero são muito minhas amigas, estudam Belas Artes na universidade e têm 22 e 24 anos, respectivamente. A Rocio é vinda do outro lado da Espanha, na região de Valência, onde, além do castelhano, se fala também valenciano (que é igual ao catalão). Já a Vero é galega mesmo, gosta de falar galego e é muito orgulhosa com estas questões regionais da Galícia. A Vane, que também é galega, não conheço muito bem, pois não convive muito conosco.
Quando eu cheguei, Rocio e Vero me convidaram para rachar os custo de supermercado e fazer as refeições juntas. Adorei a idéia, uma vez que não cozinho nada. Ao contrário de mim, elas cozinham muito bem e sabem preparar muitas coisas, principalmente frutos do mar, que é muito comum e tradicional aqui (e que eu amo). Já tivemos massa com uma série de molhos altamente elaborados, strogonoff, frango com uns cogumelos e molho branco e mais um monte de coisas. Eu sempre fico observando e ajudando em algumas coisas para ver se - finalmente - aprendo. A prova de fogo foi domingo, quando Rocio disse “corta o frango”. Como assim corta o frango? Tipo, eu acho que NUNCA tinha cortado carne crua na minha vida. E não façam essa cara, eu realmente não me lembro de já ter espetado uma carne para churrasco ou ter fritado bifes. ACONTECE QUE EU CORTEI O FRANGO AE. E ficou muito bem cortadinho.
Não se pode dizer que sou uma completa inútil também. Em 15 dias, já varri a sala duas vezes e esfreguei o chão da cozinha e do banheiro. Além disso, é claro, lavo minhas roupas (à mão e à máquina), varro o quarto duas vezes por semana, troco roupa de cama, e essas coisas mais básicas. Aqui no nosso apartamento não tem essa de contratar empregada como todo mundo faz em Porto Alegre. Faça você mesmo.
Mas falando mais das gurias que moram comigo – e ignorando o meu amadurecimento com atividades domésticas - costumamos passar bastante tempo juntas conversando em casa e, como nenhuma de nós três trabalhamos, temos bastante tempo livre. Mesmo agora que já conheço os outros estudantes de intercâmbio da universidade, que são bem legais por sinal, elas continuam sendo minhas principais companhias e com quem mais gosto de passar o tempo.
A melhor coisa sobre elas é que, por serem espanholas, são muito economicas, isto é, elas não tem uma quantidade de dinheiro guardada para gastar somente com a sua felicidade, como nós, os intercambistas, temos. Então tenho economizado bastante nas compras de super mercado, em saídas e essas coisas e até em cerveja, que elas sempre preferem comprar a mais barata (e, em consequência, a pior). A pior coisa sobre elas é que eu estou me tornando uma fumante passiva. Elas fumam como condenadas e, se não abrimos as janelas e as portas, eu morro de câncer - e se abrimos, eu morro de frio. Estou mais pelo frio do que pelo câncer.
Elas me ajudam muito com as diferenças entre o castelhano e o galego, me ensinam também as palavras que eu não sei. Em contrapartida, eu ajudo, ou deveria ajudar, com o inglês e o português. A Vero, principalmente, tem muito interesse em línguas. Com a Rocío falo mais sobre outros assuntos, como música e shows e não sobre diversidades culturais. Fico feliz de ter boas amigas assim em casa.
Além das colegas de piso, há também os colegas da faculdade, que são bacanas. Até agora não fiz amigos na facul, mas não posso reclamar por falta de coleguismo. Ninguém “discrimina” os estrangeiros por serem estrangeiros e tampouco os excluem de trabalhos em grupo. Eles me ajudam no que preciso e são receptivos. Embora a Faculdad de Ciências Humanas e de Comunicación de Universidade de Vigo seja superior em estrutura à Fabico, é evidente a discrepância existente na nossa forma de pensar estratégico. Eu vejo que, e os colegas advindos da UFRJ me disseram terem a mesma impressão, muitos assuntos que são tratados em aula estão batidos e os problemas propostos são muito simples.
Portanto, tenho tentado contribuir em aula, participando, como os demais alunos. Meu espanhol não é excelente, porém até agora tenho sido compreendida, o que para mim, em menos de um mês aqui e sem aulas de espanhol, já me deixa bastante satisfeita. E as contribuições que eu dei até agora foram válidas e importantes, eu acho - tanto que o professor teve que assumir que eu estava correta. As aulas que estou fazendo são: Elaboración de Mensage Publicitaria, Planificación e Gestión de los Medios e Programa de Identidad Corporativa. Essa última não tive ainda a oportunidade de assistir.
Quanto à compromissos, também tenho o curso de espanhol cujo teste de nivelamento é amanhã. O curso é bem intensivo: 4 horas por semana, somado aos milhões de créditos de cada aula, mais as tarefas domésticas, mais as saídas turísticas, mais as saídas à noite todas, vou ter bastante o que estudar e o que fazer durante o semestre. Mas não vai ser tão difícil, até agora tenho dado conta de tudo muito tranquilamente. Especialmente as saídas à noite.
Para os próximos posts, vou tentar fazer vídeos, pois acho que consigo contar mais FALANDO do que escrevendo. Até porque, o próximo assunto é Erasmus (os intercambistas da Universidade de Vigo), e tem bastante detalhes que quero compartilhar.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os dias já não vêm sendo tão frios e o sol permite que não se precise mais vestir jaquetas. O clima vem se tornando mais ameno e há tempos que não se enxerga núvens. A mudança foi percebida por todos os cidadãos, que agora preferem passar o seu tempo livre pelas ruas e praças - ao invés de passá-lo em casa. Brincam com seus filhos, conversam com seus cônjuges, empurram carrinhos de bebê, e fazem tudo o que podem fazer ao ar livre. A cidade é aquecida não somente pelo sol, mas por todas essas famílias felizes que a compõe.
Nunca tinha visto tantas crianças brincando assim pelas ruas como eu vejo aqui. É tudo muito bonito. O intervalo dos colégios acontece em praças da cidade porque, eu acho, eles não têm espaço para abrigar todos os niños internamente. Bom, provavelmente o mesmo aconteça com as casas, visto que, ao final do horário letivo, as crianças são levadas por seus pais para jogar bola, andar de bicicleta, ou qualquer coisa do gêreno, na rua.
As crianças aqui são muito sem-vergonha. Mas no bom sentido da palavra. Elas não têm vergonha de falar com adultos estranhos e, aliás, elas nem devem saber o significado de “verguenza” (assim como muitos de vocês, não-conhecedores da língua espanhola). Esses tempos, eu estava na cafeteria para utilizar internet, quando vejo que um menino (8 anos, acho) e uma menina (5) haviam se postado ao meu lado para ver o que eu estava fazendo no “ordenador”. Começaram a me perguntar coisas, e, quando disse que não falava espanhol, começaram a me ensinar como se diziam as palavras corretamente. Muito amados. E teriam sido mais amados ainda se não estivessem comendo Fandangos e enchendo meu computador de farelos e gordura.
Esse não foi o único exemplo de “sem-vergonhice” das crianças que vi até agora. Quando fui comprar um chip de celular, a filha do atendente fingia – ou não – que estava me vendendo o produto. Tudo que seu pai fazia, ela imitava e queria fazer igual. Quando o atendente pediu meu passaporte, a menina puxou da mão dele com força, como se fosse ela que ia anotar os dados que ali continham. Teria sido mais engraçadinha ainda se não o tivesse quase rasgado. De qualquer forma, como curto muito crianças e tal, tenho achado tudo muito legal. As crianças tem um interesse particular pelo fato de eu ser estrangeira e tentam sempre me ensinar coisas e saber que línguas eu falo (são muitas né).
Para cada cidadão de Pontevedra, há uma igreja. A mesmo tempo, para cada cidadão, há duas cervejarias. AÊAÊ. É incrível a quantidade de bares e é mais incrível ainda o preço baixo da cerveja. Paraíso? Talvez. Aposto que Deus, após ver que aqui havia tantas igrejas, determinou que a cerveja teria preço baixo e que seria vendida por toda a cidade – para que né, os fiéis também pudessem se divertir ao invés de só rezar. Faz muito sentido. Assim, até eu acreditaria em Deus.
Quando anoitece – e aí é necessário vestir uma jaqueta mais quente – as grandes famílias dão lugar aos jovens nas ruas da cidade, assim como as cafeterias fecham e se abrem os bares. Menciono jovens, mas não posso determinar um limite de idade, pois são muito diversificados. Sempre há o que se fazer à noite, seja o dia da semana que for. Há lugares mais baratos, com cerveja simples e petiscos simples e há o contraponto: cervejarias mais completas, com bebidas importadas e essas felicidades que somente o dinheiro pode comprar. Igual à Porto Alegre, não? Só que em maior quantidade e muito mais frequentados em dias considerados de pouco movimento, como domingo e segunda.
Farei uma pausa somente para constar que a cerveja que é considerada cara aqui em Pontevedra acaba saindo muito mais barata do que qualquer Skol ou Polar em Porto Alegre. Entendem o que estou falando?
Não bastasse cerveja barata, aqui existe petiscos de graça. Quando se pede uma cerveja, um café, um chocolate, ou qualquer coisa, vem um pratinho com alguma coisa servida. Podem ser batatinhas estilo Ruffles, bolachinhas, sanduíche aberto (ou seja lá o nome que derem para isso aqui), ou outras coisas. Eu acho uma forma inteligente de manter os clientes no bar. Muito inteligente por sinal, porque além de retardar o processo de embriagamento (eu inventei essa palavra), evita que a pessoa beba demais sem comer, evitando também qualquer tipo de sujeira/nojeira no banheiro.
Sempre pensei que chegaria na Europa e tomaria muito mais cerveja Weiss (trigo, para leigos) ou Ale (essa não tem tradução) do que a tradicional Pilsen. A cerveja pilsen é padrão no Brasil e quando se vai há um bar regular e se pede uma cerveja, ela será pilsen. Bem, a verdade é que aqui na Espanha também. Por mais que o clima seja frio e sugira uma cerveja mais pesada para “acalientarse”, o que eles mais tem aqui é pilsen, infelizmente. Chega de dizer pilsen neste parágrafo.
Estrella Galicia seria como a Polar para o Rio Grande do Sul: uma cerveja local e boa dentre as baratas. Porém, e que bom, a Estrella está como o nível da Bohemia, Brahma Extra ou Heineken. Ela é amarga, suave, PILSEN e com 5,5% de álcool. Bem razoável para 2 euros no super por 6 longnecks. Eu também tomei outras cervejas, obviamente, mas não tive a oportunidade de provar todas que queria porque ESTOU TENTANDO DIMINUIR MUITO, ASSIM COMO VOCÊS.
Embora você tenha pensado “eu não estou tentando diminuir”, eu manterei aquela frase, pois não quero me sentir sozinha nessa. Moro em cima de um bar, mas desde que me mudei, só fui duas vezes ali. É ou não é uma vitória?
Como agora comecei meus estudos de vez na Universidade de Vigo, não tenho mais tanto tempo nem tanta disposição para acompanhar a vida noturna da cidade durante os dias úteis. Estou dando preferência para sair nos finais de semana, somente. Minhas aulas são pela manhã e vão até o começo da tarde. Tenho que me dedicar bastante, pois não são tão fáceis e são em outra língua. Já pela tarde, prefiro caminhar pela cidade que tanto me agrada, onde agora não mais preciso vestir jaqueta, e observar as famílias tão simpáticas que deixam Pontevedra mais calorosa. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Aqui estou, na região de Galícia, Espanha, fazem aproximadamente 6 graus e são 17:26. Cheguei no aeroporto na cidade de Vigo às 11h de quinta-feira, e permaneci na cidade duas noites, em um hotel. Depois disso, me vim à Pontevedra, para me instalar definitivamente em um “piso” compartilhado com outras 3 gurias.<br />
Bem, para contar tudo que venho fazendo de quarta-feira (dia em que entrei no avião) até hoje (terça), terei que separar por partes, pois, em menos de uma semana, bastante coisa interessante aconteceu.<br />
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<b>Aeroportos  e a chegada</b><br />
Quarta, assim que passei pelo portão de embarque, me dei conta que estava prestes a ficar seis meses longe de tudo e todos. Era a primeira vez que me dava conta disso, porque, até o momento, a minha viagem parecia uma coisa muito distante e que demoraria muito a acontecer. Então, no momento que entrei no “embarque doméstico” no aeroporto Salgado Filho, me veio uma profunda tristeza e saudade antecipada... Claro, seria a primeira vez que me separaria tanto tempo da minha família, dos meus amigos e da minha rotina em geral. Mais do que isso, estava rumando a um país cuja língua eu não sabia falar.<br />
Este sentimento durou até a minha chegada em Guarulhos, onde fiquei ocupada demais me preocupando em fazer o check in, em localizar o portão de embarque e em cuidar da minha mochila – na qual se encontrava meu notebook. Ou seja, minha cabeça ficou tão cheia de coisas que não tive muito tempo para sentimentos. Agora era a ansiedade de embarcar logo para a Espanha Loca.<br />
Quando entrei no avião da Iberia, me decepcionei muito ao ver que NÃO HAVIA aquelas televisõezinhas legais nos bancos e aqueles controles, similares aos controles de video games, nos braços das poltronas. Ficaria 8 ou 9 horas fazendo nada. Havia umas 3 ou 4 televisões centrais, e quem quisesse assistir ao filme que estava passando, era só plugar os fones de ouvido. A parte boa é que meus fones não plugavam, uma vez que o buraquinho estava entupido com alguma coisa idiota que me deixou extremamente irritada. Permaneci olhando pela janela – onde não havia nada, pois estava escuro – e tentando dormir a viagem toda.<br />
Em Madri, estava muito impressionada com o tamanho do aeroporto e também com a modernidade. Existe um trem, bem grande e rápido, que parte do desembarque e leva as pessoas ao embarque DENTRO do aeroporto.  Um trem só para isso. E olha, ele permanece uns 5 minutos andando até chegar ao embarque...<br />
Bom, pulando um pouco a história, cheguei no aeroporto de Vigo, finalmente. Aeroportinho minúsculo. Me pus a esperar minhas duas malas nas esteiras. Um veio. Ótimo. E a outra? Pois é, esta não chegou. Esperei mais do que todos, fiquei sozinha, e nada da mala. Conheço os procedimentos e fui ao guichê da companhia aérea fazer a reclamação. Muito educada e boa gente, a menina que ali trabalhava me deu todas as orientações. Não bastasse, ainda me explicou como fazia para pegar um ônibus e chegar ao hotel que eu iria morar por 4 dias.<br />
Por um lado, foi bom que a mala não tivesse chegado, visto que a outra mala, a mochila e a bolsa já eram suficiente para me fazer ter que descançar a cada passo que eu dava. Desci em uma parada perto da estação de trem e fui perguntando para as pessoas EM PORTUNHOL como chegava ao hotel. Descobri.<br />
Bom, uma vez no hotel, teria que ligar para casa para avisar que tinha chegado bem. Segunda coisa que teria que fazer era ir à Universidade de Vigo e fazer minha matrícula. Terceira coisa era dar uma volta pela cidade, para conhecer, tirar fotos e saber me localizar. Quarta coisa, entrar em contato com uma menina chamada Silvia, que tinha um quarto livre em um apartamento em Pontevedra.<br />
Depois de avisar a todos a minha chegada, tentei ir a universidade, porém, não consegui. Aparentemente era feriado em Vigo e os ônibus estavam com serviço mínimo. Os alunos que haviam ido lá não conseguiram voltar por duas horas, pois havia só um ônibus trabalhando (ou seja, foram, mas na hora de voltar, tinham que esperar aquele ônibus fazer a volta toda na cidade). Além disso a Oficina de Relaciones Internacionales não atendia o telefone.<br />
Estava chovendo e isso me impedia de aproveitar o tempo livre de quinta-feira para passear e conhecer a cidade. Fiz umas comprinhas no super e só. Aproveitei para mandar uma mensagem de celular para a Silvia dizendo que já havia chegado e que no dia seguinte entrava em contato com ela.<br />
Sem muitas escolhas, fui dormir e esperar que no outro dia a minha sorte melhorasse.<br />
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<b>Vigo</b><br />
Depois de uma quinta-feira tensíssima, pude aproveitar uma sexta bem agradável. Saí para conhecer a cidade e tirar fotos.<br />
Vigo me pareceu uma cidade agitada. São 250 mil habitantes somente, mesmo assim, para a Espanha, parece estar de bom tamanho. Muitos prédios antigos, arquitetura bem diferente, ruas cheias de gente, comércio, frio e sol. Me diverti tirando fotos, embora não tenha achado tantas coisas bonitas para fotografar por lá. Os prédios infelizmente não são muito bem cuidados. Mas há muitas praças bonitas, e umas ruas estreitas bem diferentes e tal. Bacana. Se vê muitos skatistas e ciclistas nas ruas, pois são bem lisinhas, propícias para boas caminhadas e práticas de esportes com rodas.<br />
O melhor de tudo foi quando finalmente encontrei o mar. Cheguei no porto de Vigo e achei belíssimo. É verde e azul e se pode ver uma série de ilhas em volta. Também tem um monte de gaivotas e há uma calçada ao lado para se caminhar em frente ao mar. Tirei fotos bonitas e foi a parte que mais gostei da cidade. Muito aconchegante.<br />
Depois disso, voltei ao hotel, almocei lá pelas 15h e liguei para a Silvia. Resolvi que estava na hora de ir à Pontevedra conhecer. Mas antes disso, vou falar um pouco do hotel. O atendente era boa gente, engraçado, porém um pouco chato. Às vezes me irritava. A internet era acessível somente no saguão do hotel, onde há uma lancheria também. No meu quarto, infelizmente não havia acesso à internet, mas havia uma cama de casal, um banho quente e bom e um armário. A diária era cara para um estudante. Mas para quem quiser um dia passar por Vigo e ficar confortável, recomendo portanto. <br />
Para quem não sabe, a Universidade de Vigo tem campus em três cidades na região da Galícia: em Vigo mesmo, em Ourense e em Pontevedra. O curso de Publicidad y Relaciones Públicas fica em Pontevedra, por isso deveria viver nesta cidade.<br />
Então me fui. O hotel ficava perto da estação de trem. Tudo muito fácil: por três euros se faz o trajeto e em meia hora se chega. São três euros muito bem gastos, uma vez que o caminho que o trem faz é lindo - ele contorna toda a costa do mar. Bendito o dia que resolvi vir pra esta tal de Galícia. Que lugar afude.<br />
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<b>Pontevedra</b><br />
Claro, este era o primeiro dia que estava vindo à Pontevedra, então só vim com a bolsa. Faria a mudança no dia seguinte, somente. A Sílvia me esperava na frente do prédio, para me mostrar umas coisas da cidade e também me levar à universidade. Aliás, é uma menina bem querida e legal.<br />
Peço desculpas por ficar dizendo que tudo é lindo. Mas é que é mesmo, sério. Eu achava Vigo bacana, mas quando cheguei aqui me encantei. Não tem como explicar, só vendo. Os prédios aqui são todos históricos, as ruas são todas bem cuidadas, muito lisinhas, cervejarias, bares e cafés em todos os lugares, a universidade e lindíssima, cheio de praças e monumentos em tudo que é lugar. É tudo muito europeuzinho. Um amor de cidade. Amei que eu tenha que viver aqui e não em Vigo. Embora seja menor, tem bastante coisas para se fazer, tem bastante comércio, também tem mar, só que tudo se pode fazer a pé – diferente de Vigo.<br />
Bom, a Silvia, na realidade, não ia morar comigo no ap (o que era uma pena, porque ela é bem legal). Ela estava de mudança para a Polônia – só por 6 meses – e precisava que alguém ficasse aqui no quarto dela. Foi nesse dia então que, além de conhecer a cidade, conheci o ap que ia morar, as gurias que iam morar comigo e O BAR DE BAIXO, que fica embaixo da minha sacadinha (sim, eu tenho uma sacada no quarto). Ela também estava organizando a despedida dela no dia seguinte, sábado. Então fiquei até umas 20h em Pontevedra e tomei o trem rumo a Vigo, para ficar mais uma noite no hotel.<br />
No dia seguinte, pela hora do almoço, minha mala finalmente chegou! Era o que estava faltando para ficar tudo ajeitado. Já tinha um ap, já sabia como fazer pra chegar na universidade, só faltava mesmo minha mala. Esse foi o sinal verde para deixar o hotel uma noite antes do previsto e vir de vez para Pontevedra.<br />
Vim, já fiz muita festa, fiquei amiga das amigas da Silvia, fiquei amiga dos donos do bar de baixo, já virei a cidade de cabeça pra baixo, tudo de domingo pra hoje.  Como a Sílvia arrumou todas as suas coisas e foi embora no sábado, desde então já estou oficialmente instalada aqui no ap com minhas coisas arrumadas. Agora, estou tentando dar início ao processo de matrícula para que possa começar as aulas. Ah sim, na minha casa não tem internet então tenho sempre que ir a uma cafeteria me conectar.<br />
Gostaria de terminar este post, portanto, contando como as pessoas da região da Galícia são boa gente. Desde o momento que cheguei ao aeroporto de Vigo até agora, aqui em Pontevedra com minhas colegas de quarto, todos foram muito atenciosos em me ajudar. Claro, uns mais simpáticos, outros menos, mas todos muito preocupados em dar auxílio e parecerem gentis.  Gosto muito como todos me dizem “se entende perfectamente” quando se trata do meu PORTUNHOL e como me ensinam quando não sei as palavras. Gostam de saber minha opinião sobre as coisas, gostam de saber como é no Brasil e as gurias da casa ficam interessadas em dizer às pessoas que estão morando com uma brasileira. Acho MUITO legal.<br />
Apesar do lugar ser lindíssimo, acho que o melhor daqui mesmo são as pessoas. Então tipo, por mais que tenha passado por uns azares no começo (e que agora também estou passando), as pessoas compensam, a cidade compensa, a própria aventura em si compensa.<br />
Maiores detalhes sobre os meus azares, sobre o ap, sobre as meninas da casa, sobre a comida, sobre a cerveja e sobre os hábitos locais darei posteriormente.

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