Divido o apartamento com espanholas. Excelente, considerando que adiquirirei fluência na língua provavelmente antes do que os outros estudantes de intercâmbio. Venho praticando todos os dias os dois idiomas (castelhano e galego) e assumo que em duas semanas progredi muito: antes eu não entendia ninguém e hoje, por exemplo, as aulas da faculdade são claras como água para mim.
Rocio, Vero e Vane são as meninas com quem vivo. A Rocio e a Vero são muito minhas amigas, estudam Belas Artes na universidade e têm 22 e 24 anos, respectivamente. A Rocio é vinda do outro lado da Espanha, na região de Valência, onde, além do castelhano, se fala também valenciano (que é igual ao catalão). Já a Vero é galega mesmo, gosta de falar galego e é muito orgulhosa com estas questões regionais da Galícia. A Vane, que também é galega, não conheço muito bem, pois não convive muito conosco.
Quando eu cheguei, Rocio e Vero me convidaram para rachar os custo de supermercado e fazer as refeições juntas. Adorei a idéia, uma vez que não cozinho nada. Ao contrário de mim, elas cozinham muito bem e sabem preparar muitas coisas, principalmente frutos do mar, que é muito comum e tradicional aqui (e que eu amo). Já tivemos massa com uma série de molhos altamente elaborados, strogonoff, frango com uns cogumelos e molho branco e mais um monte de coisas. Eu sempre fico observando e ajudando em algumas coisas para ver se - finalmente - aprendo. A prova de fogo foi domingo, quando Rocio disse “corta o frango”. Como assim corta o frango? Tipo, eu acho que NUNCA tinha cortado carne crua na minha vida. E não façam essa cara, eu realmente não me lembro de já ter espetado uma carne para churrasco ou ter fritado bifes. ACONTECE QUE EU CORTEI O FRANGO AE. E ficou muito bem cortadinho.
Não se pode dizer que sou uma completa inútil também. Em 15 dias, já varri a sala duas vezes e esfreguei o chão da cozinha e do banheiro. Além disso, é claro, lavo minhas roupas (à mão e à máquina), varro o quarto duas vezes por semana, troco roupa de cama, e essas coisas mais básicas. Aqui no nosso apartamento não tem essa de contratar empregada como todo mundo faz em Porto Alegre. Faça você mesmo.
Mas falando mais das gurias que moram comigo – e ignorando o meu amadurecimento com atividades domésticas - costumamos passar bastante tempo juntas conversando em casa e, como nenhuma de nós três trabalhamos, temos bastante tempo livre. Mesmo agora que já conheço os outros estudantes de intercâmbio da universidade, que são bem legais por sinal, elas continuam sendo minhas principais companhias e com quem mais gosto de passar o tempo.
A melhor coisa sobre elas é que, por serem espanholas, são muito economicas, isto é, elas não tem uma quantidade de dinheiro guardada para gastar somente com a sua felicidade, como nós, os intercambistas, temos. Então tenho economizado bastante nas compras de super mercado, em saídas e essas coisas e até em cerveja, que elas sempre preferem comprar a mais barata (e, em consequência, a pior). A pior coisa sobre elas é que eu estou me tornando uma fumante passiva. Elas fumam como condenadas e, se não abrimos as janelas e as portas, eu morro de câncer - e se abrimos, eu morro de frio. Estou mais pelo frio do que pelo câncer.
Elas me ajudam muito com as diferenças entre o castelhano e o galego, me ensinam também as palavras que eu não sei. Em contrapartida, eu ajudo, ou deveria ajudar, com o inglês e o português. A Vero, principalmente, tem muito interesse em línguas. Com a Rocío falo mais sobre outros assuntos, como música e shows e não sobre diversidades culturais. Fico feliz de ter boas amigas assim em casa.
Além das colegas de piso, há também os colegas da faculdade, que são bacanas. Até agora não fiz amigos na facul, mas não posso reclamar por falta de coleguismo. Ninguém “discrimina” os estrangeiros por serem estrangeiros e tampouco os excluem de trabalhos em grupo. Eles me ajudam no que preciso e são receptivos. Embora a Faculdad de Ciências Humanas e de Comunicación de Universidade de Vigo seja superior em estrutura à Fabico, é evidente a discrepância existente na nossa forma de pensar estratégico. Eu vejo que, e os colegas advindos da UFRJ me disseram terem a mesma impressão, muitos assuntos que são tratados em aula estão batidos e os problemas propostos são muito simples.
Portanto, tenho tentado contribuir em aula, participando, como os demais alunos. Meu espanhol não é excelente, porém até agora tenho sido compreendida, o que para mim, em menos de um mês aqui e sem aulas de espanhol, já me deixa bastante satisfeita. E as contribuições que eu dei até agora foram válidas e importantes, eu acho - tanto que o professor teve que assumir que eu estava correta. As aulas que estou fazendo são: Elaboración de Mensage Publicitaria, Planificación e Gestión de los Medios e Programa de Identidad Corporativa. Essa última não tive ainda a oportunidade de assistir.
Quanto à compromissos, também tenho o curso de espanhol cujo teste de nivelamento é amanhã. O curso é bem intensivo: 4 horas por semana, somado aos milhões de créditos de cada aula, mais as tarefas domésticas, mais as saídas turísticas, mais as saídas à noite todas, vou ter bastante o que estudar e o que fazer durante o semestre. Mas não vai ser tão difícil, até agora tenho dado conta de tudo muito tranquilamente. Especialmente as saídas à noite.
Para os próximos posts, vou tentar fazer vídeos, pois acho que consigo contar mais FALANDO do que escrevendo. Até porque, o próximo assunto é Erasmus (os intercambistas da Universidade de Vigo), e tem bastante detalhes que quero compartilhar.



0 comentários:
Postar um comentário