Os dias já não vêm sendo tão frios e o sol permite que não se precise mais vestir jaquetas. O clima vem se tornando mais ameno e há tempos que não se enxerga núvens. A mudança foi percebida por todos os cidadãos, que agora preferem passar o seu tempo livre pelas ruas e praças - ao invés de passá-lo em casa. Brincam com seus filhos, conversam com seus cônjuges, empurram carrinhos de bebê, e fazem tudo o que podem fazer ao ar livre. A cidade é aquecida não somente pelo sol, mas por todas essas famílias felizes que a compõe.
Nunca tinha visto tantas crianças brincando assim pelas ruas como eu vejo aqui. É tudo muito bonito. O intervalo dos colégios acontece em praças da cidade porque, eu acho, eles não têm espaço para abrigar todos os niños internamente. Bom, provavelmente o mesmo aconteça com as casas, visto que, ao final do horário letivo, as crianças são levadas por seus pais para jogar bola, andar de bicicleta, ou qualquer coisa do gêreno, na rua.
As crianças aqui são muito sem-vergonha. Mas no bom sentido da palavra. Elas não têm vergonha de falar com adultos estranhos e, aliás, elas nem devem saber o significado de “verguenza” (assim como muitos de vocês, não-conhecedores da língua espanhola). Esses tempos, eu estava na cafeteria para utilizar internet, quando vejo que um menino (8 anos, acho) e uma menina (5) haviam se postado ao meu lado para ver o que eu estava fazendo no “ordenador”. Começaram a me perguntar coisas, e, quando disse que não falava espanhol, começaram a me ensinar como se diziam as palavras corretamente. Muito amados. E teriam sido mais amados ainda se não estivessem comendo Fandangos e enchendo meu computador de farelos e gordura.
Esse não foi o único exemplo de “sem-vergonhice” das crianças que vi até agora. Quando fui comprar um chip de celular, a filha do atendente fingia – ou não – que estava me vendendo o produto. Tudo que seu pai fazia, ela imitava e queria fazer igual. Quando o atendente pediu meu passaporte, a menina puxou da mão dele com força, como se fosse ela que ia anotar os dados que ali continham. Teria sido mais engraçadinha ainda se não o tivesse quase rasgado. De qualquer forma, como curto muito crianças e tal, tenho achado tudo muito legal. As crianças tem um interesse particular pelo fato de eu ser estrangeira e tentam sempre me ensinar coisas e saber que línguas eu falo (são muitas né).
Para cada cidadão de Pontevedra, há uma igreja. A mesmo tempo, para cada cidadão, há duas cervejarias. AÊAÊ. É incrível a quantidade de bares e é mais incrível ainda o preço baixo da cerveja. Paraíso? Talvez. Aposto que Deus, após ver que aqui havia tantas igrejas, determinou que a cerveja teria preço baixo e que seria vendida por toda a cidade – para que né, os fiéis também pudessem se divertir ao invés de só rezar. Faz muito sentido. Assim, até eu acreditaria em Deus.
Quando anoitece – e aí é necessário vestir uma jaqueta mais quente – as grandes famílias dão lugar aos jovens nas ruas da cidade, assim como as cafeterias fecham e se abrem os bares. Menciono jovens, mas não posso determinar um limite de idade, pois são muito diversificados. Sempre há o que se fazer à noite, seja o dia da semana que for. Há lugares mais baratos, com cerveja simples e petiscos simples e há o contraponto: cervejarias mais completas, com bebidas importadas e essas felicidades que somente o dinheiro pode comprar. Igual à Porto Alegre, não? Só que em maior quantidade e muito mais frequentados em dias considerados de pouco movimento, como domingo e segunda.
Farei uma pausa somente para constar que a cerveja que é considerada cara aqui em Pontevedra acaba saindo muito mais barata do que qualquer Skol ou Polar em Porto Alegre. Entendem o que estou falando?
Não bastasse cerveja barata, aqui existe petiscos de graça. Quando se pede uma cerveja, um café, um chocolate, ou qualquer coisa, vem um pratinho com alguma coisa servida. Podem ser batatinhas estilo Ruffles, bolachinhas, sanduíche aberto (ou seja lá o nome que derem para isso aqui), ou outras coisas. Eu acho uma forma inteligente de manter os clientes no bar. Muito inteligente por sinal, porque além de retardar o processo de embriagamento (eu inventei essa palavra), evita que a pessoa beba demais sem comer, evitando também qualquer tipo de sujeira/nojeira no banheiro.
Sempre pensei que chegaria na Europa e tomaria muito mais cerveja Weiss (trigo, para leigos) ou Ale (essa não tem tradução) do que a tradicional Pilsen. A cerveja pilsen é padrão no Brasil e quando se vai há um bar regular e se pede uma cerveja, ela será pilsen. Bem, a verdade é que aqui na Espanha também. Por mais que o clima seja frio e sugira uma cerveja mais pesada para “acalientarse”, o que eles mais tem aqui é pilsen, infelizmente. Chega de dizer pilsen neste parágrafo.
Estrella Galicia seria como a Polar para o Rio Grande do Sul: uma cerveja local e boa dentre as baratas. Porém, e que bom, a Estrella está como o nível da Bohemia, Brahma Extra ou Heineken. Ela é amarga, suave, PILSEN e com 5,5% de álcool. Bem razoável para 2 euros no super por 6 longnecks. Eu também tomei outras cervejas, obviamente, mas não tive a oportunidade de provar todas que queria porque ESTOU TENTANDO DIMINUIR MUITO, ASSIM COMO VOCÊS.
Embora você tenha pensado “eu não estou tentando diminuir”, eu manterei aquela frase, pois não quero me sentir sozinha nessa. Moro em cima de um bar, mas desde que me mudei, só fui duas vezes ali. É ou não é uma vitória?
Como agora comecei meus estudos de vez na Universidade de Vigo, não tenho mais tanto tempo nem tanta disposição para acompanhar a vida noturna da cidade durante os dias úteis. Estou dando preferência para sair nos finais de semana, somente. Minhas aulas são pela manhã e vão até o começo da tarde. Tenho que me dedicar bastante, pois não são tão fáceis e são em outra língua. Já pela tarde, prefiro caminhar pela cidade que tanto me agrada, onde agora não mais preciso vestir jaqueta, e observar as famílias tão simpáticas que deixam Pontevedra mais calorosa.



Laura, to adorando ler tuas "aventuras" por aí! Pra quem nunca viajou, como eu, é uma oportunidade de visualizar um lugar diferente! Aproveita bastante!
ResponderExcluir