terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Aqui estou, na região de Galícia, Espanha, fazem aproximadamente 6 graus e são 17:26. Cheguei no aeroporto na cidade de Vigo às 11h de quinta-feira, e permaneci na cidade duas noites, em um hotel. Depois disso, me vim à Pontevedra, para me instalar definitivamente em um “piso” compartilhado com outras 3 gurias.<br />
Bem, para contar tudo que venho fazendo de quarta-feira (dia em que entrei no avião) até hoje (terça), terei que separar por partes, pois, em menos de uma semana, bastante coisa interessante aconteceu.<br />
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<b>Aeroportos  e a chegada</b><br />
Quarta, assim que passei pelo portão de embarque, me dei conta que estava prestes a ficar seis meses longe de tudo e todos. Era a primeira vez que me dava conta disso, porque, até o momento, a minha viagem parecia uma coisa muito distante e que demoraria muito a acontecer. Então, no momento que entrei no “embarque doméstico” no aeroporto Salgado Filho, me veio uma profunda tristeza e saudade antecipada... Claro, seria a primeira vez que me separaria tanto tempo da minha família, dos meus amigos e da minha rotina em geral. Mais do que isso, estava rumando a um país cuja língua eu não sabia falar.<br />
Este sentimento durou até a minha chegada em Guarulhos, onde fiquei ocupada demais me preocupando em fazer o check in, em localizar o portão de embarque e em cuidar da minha mochila – na qual se encontrava meu notebook. Ou seja, minha cabeça ficou tão cheia de coisas que não tive muito tempo para sentimentos. Agora era a ansiedade de embarcar logo para a Espanha Loca.<br />
Quando entrei no avião da Iberia, me decepcionei muito ao ver que NÃO HAVIA aquelas televisõezinhas legais nos bancos e aqueles controles, similares aos controles de video games, nos braços das poltronas. Ficaria 8 ou 9 horas fazendo nada. Havia umas 3 ou 4 televisões centrais, e quem quisesse assistir ao filme que estava passando, era só plugar os fones de ouvido. A parte boa é que meus fones não plugavam, uma vez que o buraquinho estava entupido com alguma coisa idiota que me deixou extremamente irritada. Permaneci olhando pela janela – onde não havia nada, pois estava escuro – e tentando dormir a viagem toda.<br />
Em Madri, estava muito impressionada com o tamanho do aeroporto e também com a modernidade. Existe um trem, bem grande e rápido, que parte do desembarque e leva as pessoas ao embarque DENTRO do aeroporto.  Um trem só para isso. E olha, ele permanece uns 5 minutos andando até chegar ao embarque...<br />
Bom, pulando um pouco a história, cheguei no aeroporto de Vigo, finalmente. Aeroportinho minúsculo. Me pus a esperar minhas duas malas nas esteiras. Um veio. Ótimo. E a outra? Pois é, esta não chegou. Esperei mais do que todos, fiquei sozinha, e nada da mala. Conheço os procedimentos e fui ao guichê da companhia aérea fazer a reclamação. Muito educada e boa gente, a menina que ali trabalhava me deu todas as orientações. Não bastasse, ainda me explicou como fazia para pegar um ônibus e chegar ao hotel que eu iria morar por 4 dias.<br />
Por um lado, foi bom que a mala não tivesse chegado, visto que a outra mala, a mochila e a bolsa já eram suficiente para me fazer ter que descançar a cada passo que eu dava. Desci em uma parada perto da estação de trem e fui perguntando para as pessoas EM PORTUNHOL como chegava ao hotel. Descobri.<br />
Bom, uma vez no hotel, teria que ligar para casa para avisar que tinha chegado bem. Segunda coisa que teria que fazer era ir à Universidade de Vigo e fazer minha matrícula. Terceira coisa era dar uma volta pela cidade, para conhecer, tirar fotos e saber me localizar. Quarta coisa, entrar em contato com uma menina chamada Silvia, que tinha um quarto livre em um apartamento em Pontevedra.<br />
Depois de avisar a todos a minha chegada, tentei ir a universidade, porém, não consegui. Aparentemente era feriado em Vigo e os ônibus estavam com serviço mínimo. Os alunos que haviam ido lá não conseguiram voltar por duas horas, pois havia só um ônibus trabalhando (ou seja, foram, mas na hora de voltar, tinham que esperar aquele ônibus fazer a volta toda na cidade). Além disso a Oficina de Relaciones Internacionales não atendia o telefone.<br />
Estava chovendo e isso me impedia de aproveitar o tempo livre de quinta-feira para passear e conhecer a cidade. Fiz umas comprinhas no super e só. Aproveitei para mandar uma mensagem de celular para a Silvia dizendo que já havia chegado e que no dia seguinte entrava em contato com ela.<br />
Sem muitas escolhas, fui dormir e esperar que no outro dia a minha sorte melhorasse.<br />
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<b>Vigo</b><br />
Depois de uma quinta-feira tensíssima, pude aproveitar uma sexta bem agradável. Saí para conhecer a cidade e tirar fotos.<br />
Vigo me pareceu uma cidade agitada. São 250 mil habitantes somente, mesmo assim, para a Espanha, parece estar de bom tamanho. Muitos prédios antigos, arquitetura bem diferente, ruas cheias de gente, comércio, frio e sol. Me diverti tirando fotos, embora não tenha achado tantas coisas bonitas para fotografar por lá. Os prédios infelizmente não são muito bem cuidados. Mas há muitas praças bonitas, e umas ruas estreitas bem diferentes e tal. Bacana. Se vê muitos skatistas e ciclistas nas ruas, pois são bem lisinhas, propícias para boas caminhadas e práticas de esportes com rodas.<br />
O melhor de tudo foi quando finalmente encontrei o mar. Cheguei no porto de Vigo e achei belíssimo. É verde e azul e se pode ver uma série de ilhas em volta. Também tem um monte de gaivotas e há uma calçada ao lado para se caminhar em frente ao mar. Tirei fotos bonitas e foi a parte que mais gostei da cidade. Muito aconchegante.<br />
Depois disso, voltei ao hotel, almocei lá pelas 15h e liguei para a Silvia. Resolvi que estava na hora de ir à Pontevedra conhecer. Mas antes disso, vou falar um pouco do hotel. O atendente era boa gente, engraçado, porém um pouco chato. Às vezes me irritava. A internet era acessível somente no saguão do hotel, onde há uma lancheria também. No meu quarto, infelizmente não havia acesso à internet, mas havia uma cama de casal, um banho quente e bom e um armário. A diária era cara para um estudante. Mas para quem quiser um dia passar por Vigo e ficar confortável, recomendo portanto. <br />
Para quem não sabe, a Universidade de Vigo tem campus em três cidades na região da Galícia: em Vigo mesmo, em Ourense e em Pontevedra. O curso de Publicidad y Relaciones Públicas fica em Pontevedra, por isso deveria viver nesta cidade.<br />
Então me fui. O hotel ficava perto da estação de trem. Tudo muito fácil: por três euros se faz o trajeto e em meia hora se chega. São três euros muito bem gastos, uma vez que o caminho que o trem faz é lindo - ele contorna toda a costa do mar. Bendito o dia que resolvi vir pra esta tal de Galícia. Que lugar afude.<br />
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<b>Pontevedra</b><br />
Claro, este era o primeiro dia que estava vindo à Pontevedra, então só vim com a bolsa. Faria a mudança no dia seguinte, somente. A Sílvia me esperava na frente do prédio, para me mostrar umas coisas da cidade e também me levar à universidade. Aliás, é uma menina bem querida e legal.<br />
Peço desculpas por ficar dizendo que tudo é lindo. Mas é que é mesmo, sério. Eu achava Vigo bacana, mas quando cheguei aqui me encantei. Não tem como explicar, só vendo. Os prédios aqui são todos históricos, as ruas são todas bem cuidadas, muito lisinhas, cervejarias, bares e cafés em todos os lugares, a universidade e lindíssima, cheio de praças e monumentos em tudo que é lugar. É tudo muito europeuzinho. Um amor de cidade. Amei que eu tenha que viver aqui e não em Vigo. Embora seja menor, tem bastante coisas para se fazer, tem bastante comércio, também tem mar, só que tudo se pode fazer a pé – diferente de Vigo.<br />
Bom, a Silvia, na realidade, não ia morar comigo no ap (o que era uma pena, porque ela é bem legal). Ela estava de mudança para a Polônia – só por 6 meses – e precisava que alguém ficasse aqui no quarto dela. Foi nesse dia então que, além de conhecer a cidade, conheci o ap que ia morar, as gurias que iam morar comigo e O BAR DE BAIXO, que fica embaixo da minha sacadinha (sim, eu tenho uma sacada no quarto). Ela também estava organizando a despedida dela no dia seguinte, sábado. Então fiquei até umas 20h em Pontevedra e tomei o trem rumo a Vigo, para ficar mais uma noite no hotel.<br />
No dia seguinte, pela hora do almoço, minha mala finalmente chegou! Era o que estava faltando para ficar tudo ajeitado. Já tinha um ap, já sabia como fazer pra chegar na universidade, só faltava mesmo minha mala. Esse foi o sinal verde para deixar o hotel uma noite antes do previsto e vir de vez para Pontevedra.<br />
Vim, já fiz muita festa, fiquei amiga das amigas da Silvia, fiquei amiga dos donos do bar de baixo, já virei a cidade de cabeça pra baixo, tudo de domingo pra hoje.  Como a Sílvia arrumou todas as suas coisas e foi embora no sábado, desde então já estou oficialmente instalada aqui no ap com minhas coisas arrumadas. Agora, estou tentando dar início ao processo de matrícula para que possa começar as aulas. Ah sim, na minha casa não tem internet então tenho sempre que ir a uma cafeteria me conectar.<br />
Gostaria de terminar este post, portanto, contando como as pessoas da região da Galícia são boa gente. Desde o momento que cheguei ao aeroporto de Vigo até agora, aqui em Pontevedra com minhas colegas de quarto, todos foram muito atenciosos em me ajudar. Claro, uns mais simpáticos, outros menos, mas todos muito preocupados em dar auxílio e parecerem gentis.  Gosto muito como todos me dizem “se entende perfectamente” quando se trata do meu PORTUNHOL e como me ensinam quando não sei as palavras. Gostam de saber minha opinião sobre as coisas, gostam de saber como é no Brasil e as gurias da casa ficam interessadas em dizer às pessoas que estão morando com uma brasileira. Acho MUITO legal.<br />
Apesar do lugar ser lindíssimo, acho que o melhor daqui mesmo são as pessoas. Então tipo, por mais que tenha passado por uns azares no começo (e que agora também estou passando), as pessoas compensam, a cidade compensa, a própria aventura em si compensa.<br />
Maiores detalhes sobre os meus azares, sobre o ap, sobre as meninas da casa, sobre a comida, sobre a cerveja e sobre os hábitos locais darei posteriormente.

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