quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Divido o apartamento com espanholas. Excelente, considerando que adiquirirei fluência na língua provavelmente antes do que os outros estudantes de intercâmbio. Venho praticando todos os dias os dois idiomas (castelhano e galego) e assumo que em duas semanas progredi muito: antes eu não entendia ninguém e hoje, por exemplo, as aulas da faculdade são claras como água para mim.
Rocio, Vero e Vane são as meninas com quem vivo. A Rocio e a Vero são muito minhas amigas, estudam Belas Artes na universidade e têm 22 e 24 anos, respectivamente. A Rocio é vinda do outro lado da Espanha, na região de Valência, onde, além do castelhano, se fala também valenciano (que é igual ao catalão). Já a Vero é galega mesmo, gosta de falar galego e é muito orgulhosa com estas questões regionais da Galícia. A Vane, que também é galega, não conheço muito bem, pois não convive muito conosco.
Quando eu cheguei, Rocio e Vero me convidaram para rachar os custo de supermercado e fazer as refeições juntas. Adorei a idéia, uma vez que não cozinho nada. Ao contrário de mim, elas cozinham muito bem e sabem preparar muitas coisas, principalmente frutos do mar, que é muito comum e tradicional aqui (e que eu amo). Já tivemos massa com uma série de molhos altamente elaborados, strogonoff, frango com uns cogumelos e molho branco e mais um monte de coisas. Eu sempre fico observando e ajudando em algumas coisas para ver se - finalmente - aprendo. A prova de fogo foi domingo, quando Rocio disse “corta o frango”. Como assim corta o frango? Tipo, eu acho que NUNCA tinha cortado carne crua na minha vida. E não façam essa cara, eu realmente não me lembro de já ter espetado uma carne para churrasco ou ter fritado bifes. ACONTECE QUE EU CORTEI O FRANGO AE. E ficou muito bem cortadinho.
Não se pode dizer que sou uma completa inútil também. Em 15 dias, já varri a sala duas vezes e esfreguei o chão da cozinha e do banheiro. Além disso, é claro, lavo minhas roupas (à mão e à máquina), varro o quarto duas vezes por semana, troco roupa de cama, e essas coisas mais básicas. Aqui no nosso apartamento não tem essa de contratar empregada como todo mundo faz em Porto Alegre. Faça você mesmo.
Mas falando mais das gurias que moram comigo – e ignorando o meu amadurecimento com atividades domésticas - costumamos passar bastante tempo juntas conversando em casa e, como nenhuma de nós três trabalhamos, temos bastante tempo livre. Mesmo agora que já conheço os outros estudantes de intercâmbio da universidade, que são bem legais por sinal, elas continuam sendo minhas principais companhias e com quem mais gosto de passar o tempo.
A melhor coisa sobre elas é que, por serem espanholas, são muito economicas, isto é, elas não tem uma quantidade de dinheiro guardada para gastar somente com a sua felicidade, como nós, os intercambistas, temos. Então tenho economizado bastante nas compras de super mercado, em saídas e essas coisas e até em cerveja, que elas sempre preferem comprar a mais barata (e, em consequência, a pior). A pior coisa sobre elas é que eu estou me tornando uma fumante passiva. Elas fumam como condenadas e, se não abrimos as janelas e as portas, eu morro de câncer - e se abrimos, eu morro de frio. Estou mais pelo frio do que pelo câncer.
Elas me ajudam muito com as diferenças entre o castelhano e o galego, me ensinam também as palavras que eu não sei. Em contrapartida, eu ajudo, ou deveria ajudar, com o inglês e o português. A Vero, principalmente, tem muito interesse em línguas. Com a Rocío falo mais sobre outros assuntos, como música e shows e não sobre diversidades culturais. Fico feliz de ter boas amigas assim em casa.
Além das colegas de piso, há também os colegas da faculdade, que são bacanas. Até agora não fiz amigos na facul, mas não posso reclamar por falta de coleguismo. Ninguém “discrimina” os estrangeiros por serem estrangeiros e tampouco os excluem de trabalhos em grupo. Eles me ajudam no que preciso e são receptivos. Embora a Faculdad de Ciências Humanas e de Comunicación de Universidade de Vigo seja superior em estrutura à Fabico, é evidente a discrepância existente na nossa forma de pensar estratégico. Eu vejo que, e os colegas advindos da UFRJ me disseram terem a mesma impressão, muitos assuntos que são tratados em aula estão batidos e os problemas propostos são muito simples.
Portanto, tenho tentado contribuir em aula, participando, como os demais alunos. Meu espanhol não é excelente, porém até agora tenho sido compreendida, o que para mim, em menos de um mês aqui e sem aulas de espanhol, já me deixa bastante satisfeita. E as contribuições que eu dei até agora foram válidas e importantes, eu acho - tanto que o professor teve que assumir que eu estava correta. As aulas que estou fazendo são: Elaboración de Mensage Publicitaria, Planificación e Gestión de los Medios e Programa de Identidad Corporativa. Essa última não tive ainda a oportunidade de assistir.
Quanto à compromissos, também tenho o curso de espanhol cujo teste de nivelamento é amanhã. O curso é bem intensivo: 4 horas por semana, somado aos milhões de créditos de cada aula, mais as tarefas domésticas, mais as saídas turísticas, mais as saídas à noite todas, vou ter bastante o que estudar e o que fazer durante o semestre. Mas não vai ser tão difícil, até agora tenho dado conta de tudo muito tranquilamente. Especialmente as saídas à noite.
Para os próximos posts, vou tentar fazer vídeos, pois acho que consigo contar mais FALANDO do que escrevendo. Até porque, o próximo assunto é Erasmus (os intercambistas da Universidade de Vigo), e tem bastante detalhes que quero compartilhar.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os dias já não vêm sendo tão frios e o sol permite que não se precise mais vestir jaquetas. O clima vem se tornando mais ameno e há tempos que não se enxerga núvens. A mudança foi percebida por todos os cidadãos, que agora preferem passar o seu tempo livre pelas ruas e praças - ao invés de passá-lo em casa. Brincam com seus filhos, conversam com seus cônjuges, empurram carrinhos de bebê, e fazem tudo o que podem fazer ao ar livre. A cidade é aquecida não somente pelo sol, mas por todas essas famílias felizes que a compõe.
Nunca tinha visto tantas crianças brincando assim pelas ruas como eu vejo aqui. É tudo muito bonito. O intervalo dos colégios acontece em praças da cidade porque, eu acho, eles não têm espaço para abrigar todos os niños internamente. Bom, provavelmente o mesmo aconteça com as casas, visto que, ao final do horário letivo, as crianças são levadas por seus pais para jogar bola, andar de bicicleta, ou qualquer coisa do gêreno, na rua.
As crianças aqui são muito sem-vergonha. Mas no bom sentido da palavra. Elas não têm vergonha de falar com adultos estranhos e, aliás, elas nem devem saber o significado de “verguenza” (assim como muitos de vocês, não-conhecedores da língua espanhola). Esses tempos, eu estava na cafeteria para utilizar internet, quando vejo que um menino (8 anos, acho) e uma menina (5) haviam se postado ao meu lado para ver o que eu estava fazendo no “ordenador”. Começaram a me perguntar coisas, e, quando disse que não falava espanhol, começaram a me ensinar como se diziam as palavras corretamente. Muito amados. E teriam sido mais amados ainda se não estivessem comendo Fandangos e enchendo meu computador de farelos e gordura.
Esse não foi o único exemplo de “sem-vergonhice” das crianças que vi até agora. Quando fui comprar um chip de celular, a filha do atendente fingia – ou não – que estava me vendendo o produto. Tudo que seu pai fazia, ela imitava e queria fazer igual. Quando o atendente pediu meu passaporte, a menina puxou da mão dele com força, como se fosse ela que ia anotar os dados que ali continham. Teria sido mais engraçadinha ainda se não o tivesse quase rasgado. De qualquer forma, como curto muito crianças e tal, tenho achado tudo muito legal. As crianças tem um interesse particular pelo fato de eu ser estrangeira e tentam sempre me ensinar coisas e saber que línguas eu falo (são muitas né).
Para cada cidadão de Pontevedra, há uma igreja. A mesmo tempo, para cada cidadão, há duas cervejarias. AÊAÊ. É incrível a quantidade de bares e é mais incrível ainda o preço baixo da cerveja. Paraíso? Talvez. Aposto que Deus, após ver que aqui havia tantas igrejas, determinou que a cerveja teria preço baixo e que seria vendida por toda a cidade – para que né, os fiéis também pudessem se divertir ao invés de só rezar. Faz muito sentido. Assim, até eu acreditaria em Deus.
Quando anoitece – e aí é necessário vestir uma jaqueta mais quente – as grandes famílias dão lugar aos jovens nas ruas da cidade, assim como as cafeterias fecham e se abrem os bares. Menciono jovens, mas não posso determinar um limite de idade, pois são muito diversificados. Sempre há o que se fazer à noite, seja o dia da semana que for. Há lugares mais baratos, com cerveja simples e petiscos simples e há o contraponto: cervejarias mais completas, com bebidas importadas e essas felicidades que somente o dinheiro pode comprar. Igual à Porto Alegre, não? Só que em maior quantidade e muito mais frequentados em dias considerados de pouco movimento, como domingo e segunda.
Farei uma pausa somente para constar que a cerveja que é considerada cara aqui em Pontevedra acaba saindo muito mais barata do que qualquer Skol ou Polar em Porto Alegre. Entendem o que estou falando?
Não bastasse cerveja barata, aqui existe petiscos de graça. Quando se pede uma cerveja, um café, um chocolate, ou qualquer coisa, vem um pratinho com alguma coisa servida. Podem ser batatinhas estilo Ruffles, bolachinhas, sanduíche aberto (ou seja lá o nome que derem para isso aqui), ou outras coisas. Eu acho uma forma inteligente de manter os clientes no bar. Muito inteligente por sinal, porque além de retardar o processo de embriagamento (eu inventei essa palavra), evita que a pessoa beba demais sem comer, evitando também qualquer tipo de sujeira/nojeira no banheiro.
Sempre pensei que chegaria na Europa e tomaria muito mais cerveja Weiss (trigo, para leigos) ou Ale (essa não tem tradução) do que a tradicional Pilsen. A cerveja pilsen é padrão no Brasil e quando se vai há um bar regular e se pede uma cerveja, ela será pilsen. Bem, a verdade é que aqui na Espanha também. Por mais que o clima seja frio e sugira uma cerveja mais pesada para “acalientarse”, o que eles mais tem aqui é pilsen, infelizmente. Chega de dizer pilsen neste parágrafo.
Estrella Galicia seria como a Polar para o Rio Grande do Sul: uma cerveja local e boa dentre as baratas. Porém, e que bom, a Estrella está como o nível da Bohemia, Brahma Extra ou Heineken. Ela é amarga, suave, PILSEN e com 5,5% de álcool. Bem razoável para 2 euros no super por 6 longnecks. Eu também tomei outras cervejas, obviamente, mas não tive a oportunidade de provar todas que queria porque ESTOU TENTANDO DIMINUIR MUITO, ASSIM COMO VOCÊS.
Embora você tenha pensado “eu não estou tentando diminuir”, eu manterei aquela frase, pois não quero me sentir sozinha nessa. Moro em cima de um bar, mas desde que me mudei, só fui duas vezes ali. É ou não é uma vitória?
Como agora comecei meus estudos de vez na Universidade de Vigo, não tenho mais tanto tempo nem tanta disposição para acompanhar a vida noturna da cidade durante os dias úteis. Estou dando preferência para sair nos finais de semana, somente. Minhas aulas são pela manhã e vão até o começo da tarde. Tenho que me dedicar bastante, pois não são tão fáceis e são em outra língua. Já pela tarde, prefiro caminhar pela cidade que tanto me agrada, onde agora não mais preciso vestir jaqueta, e observar as famílias tão simpáticas que deixam Pontevedra mais calorosa. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Aqui estou, na região de Galícia, Espanha, fazem aproximadamente 6 graus e são 17:26. Cheguei no aeroporto na cidade de Vigo às 11h de quinta-feira, e permaneci na cidade duas noites, em um hotel. Depois disso, me vim à Pontevedra, para me instalar definitivamente em um “piso” compartilhado com outras 3 gurias.<br />
Bem, para contar tudo que venho fazendo de quarta-feira (dia em que entrei no avião) até hoje (terça), terei que separar por partes, pois, em menos de uma semana, bastante coisa interessante aconteceu.<br />
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<b>Aeroportos  e a chegada</b><br />
Quarta, assim que passei pelo portão de embarque, me dei conta que estava prestes a ficar seis meses longe de tudo e todos. Era a primeira vez que me dava conta disso, porque, até o momento, a minha viagem parecia uma coisa muito distante e que demoraria muito a acontecer. Então, no momento que entrei no “embarque doméstico” no aeroporto Salgado Filho, me veio uma profunda tristeza e saudade antecipada... Claro, seria a primeira vez que me separaria tanto tempo da minha família, dos meus amigos e da minha rotina em geral. Mais do que isso, estava rumando a um país cuja língua eu não sabia falar.<br />
Este sentimento durou até a minha chegada em Guarulhos, onde fiquei ocupada demais me preocupando em fazer o check in, em localizar o portão de embarque e em cuidar da minha mochila – na qual se encontrava meu notebook. Ou seja, minha cabeça ficou tão cheia de coisas que não tive muito tempo para sentimentos. Agora era a ansiedade de embarcar logo para a Espanha Loca.<br />
Quando entrei no avião da Iberia, me decepcionei muito ao ver que NÃO HAVIA aquelas televisõezinhas legais nos bancos e aqueles controles, similares aos controles de video games, nos braços das poltronas. Ficaria 8 ou 9 horas fazendo nada. Havia umas 3 ou 4 televisões centrais, e quem quisesse assistir ao filme que estava passando, era só plugar os fones de ouvido. A parte boa é que meus fones não plugavam, uma vez que o buraquinho estava entupido com alguma coisa idiota que me deixou extremamente irritada. Permaneci olhando pela janela – onde não havia nada, pois estava escuro – e tentando dormir a viagem toda.<br />
Em Madri, estava muito impressionada com o tamanho do aeroporto e também com a modernidade. Existe um trem, bem grande e rápido, que parte do desembarque e leva as pessoas ao embarque DENTRO do aeroporto.  Um trem só para isso. E olha, ele permanece uns 5 minutos andando até chegar ao embarque...<br />
Bom, pulando um pouco a história, cheguei no aeroporto de Vigo, finalmente. Aeroportinho minúsculo. Me pus a esperar minhas duas malas nas esteiras. Um veio. Ótimo. E a outra? Pois é, esta não chegou. Esperei mais do que todos, fiquei sozinha, e nada da mala. Conheço os procedimentos e fui ao guichê da companhia aérea fazer a reclamação. Muito educada e boa gente, a menina que ali trabalhava me deu todas as orientações. Não bastasse, ainda me explicou como fazia para pegar um ônibus e chegar ao hotel que eu iria morar por 4 dias.<br />
Por um lado, foi bom que a mala não tivesse chegado, visto que a outra mala, a mochila e a bolsa já eram suficiente para me fazer ter que descançar a cada passo que eu dava. Desci em uma parada perto da estação de trem e fui perguntando para as pessoas EM PORTUNHOL como chegava ao hotel. Descobri.<br />
Bom, uma vez no hotel, teria que ligar para casa para avisar que tinha chegado bem. Segunda coisa que teria que fazer era ir à Universidade de Vigo e fazer minha matrícula. Terceira coisa era dar uma volta pela cidade, para conhecer, tirar fotos e saber me localizar. Quarta coisa, entrar em contato com uma menina chamada Silvia, que tinha um quarto livre em um apartamento em Pontevedra.<br />
Depois de avisar a todos a minha chegada, tentei ir a universidade, porém, não consegui. Aparentemente era feriado em Vigo e os ônibus estavam com serviço mínimo. Os alunos que haviam ido lá não conseguiram voltar por duas horas, pois havia só um ônibus trabalhando (ou seja, foram, mas na hora de voltar, tinham que esperar aquele ônibus fazer a volta toda na cidade). Além disso a Oficina de Relaciones Internacionales não atendia o telefone.<br />
Estava chovendo e isso me impedia de aproveitar o tempo livre de quinta-feira para passear e conhecer a cidade. Fiz umas comprinhas no super e só. Aproveitei para mandar uma mensagem de celular para a Silvia dizendo que já havia chegado e que no dia seguinte entrava em contato com ela.<br />
Sem muitas escolhas, fui dormir e esperar que no outro dia a minha sorte melhorasse.<br />
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<b>Vigo</b><br />
Depois de uma quinta-feira tensíssima, pude aproveitar uma sexta bem agradável. Saí para conhecer a cidade e tirar fotos.<br />
Vigo me pareceu uma cidade agitada. São 250 mil habitantes somente, mesmo assim, para a Espanha, parece estar de bom tamanho. Muitos prédios antigos, arquitetura bem diferente, ruas cheias de gente, comércio, frio e sol. Me diverti tirando fotos, embora não tenha achado tantas coisas bonitas para fotografar por lá. Os prédios infelizmente não são muito bem cuidados. Mas há muitas praças bonitas, e umas ruas estreitas bem diferentes e tal. Bacana. Se vê muitos skatistas e ciclistas nas ruas, pois são bem lisinhas, propícias para boas caminhadas e práticas de esportes com rodas.<br />
O melhor de tudo foi quando finalmente encontrei o mar. Cheguei no porto de Vigo e achei belíssimo. É verde e azul e se pode ver uma série de ilhas em volta. Também tem um monte de gaivotas e há uma calçada ao lado para se caminhar em frente ao mar. Tirei fotos bonitas e foi a parte que mais gostei da cidade. Muito aconchegante.<br />
Depois disso, voltei ao hotel, almocei lá pelas 15h e liguei para a Silvia. Resolvi que estava na hora de ir à Pontevedra conhecer. Mas antes disso, vou falar um pouco do hotel. O atendente era boa gente, engraçado, porém um pouco chato. Às vezes me irritava. A internet era acessível somente no saguão do hotel, onde há uma lancheria também. No meu quarto, infelizmente não havia acesso à internet, mas havia uma cama de casal, um banho quente e bom e um armário. A diária era cara para um estudante. Mas para quem quiser um dia passar por Vigo e ficar confortável, recomendo portanto. <br />
Para quem não sabe, a Universidade de Vigo tem campus em três cidades na região da Galícia: em Vigo mesmo, em Ourense e em Pontevedra. O curso de Publicidad y Relaciones Públicas fica em Pontevedra, por isso deveria viver nesta cidade.<br />
Então me fui. O hotel ficava perto da estação de trem. Tudo muito fácil: por três euros se faz o trajeto e em meia hora se chega. São três euros muito bem gastos, uma vez que o caminho que o trem faz é lindo - ele contorna toda a costa do mar. Bendito o dia que resolvi vir pra esta tal de Galícia. Que lugar afude.<br />
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<b>Pontevedra</b><br />
Claro, este era o primeiro dia que estava vindo à Pontevedra, então só vim com a bolsa. Faria a mudança no dia seguinte, somente. A Sílvia me esperava na frente do prédio, para me mostrar umas coisas da cidade e também me levar à universidade. Aliás, é uma menina bem querida e legal.<br />
Peço desculpas por ficar dizendo que tudo é lindo. Mas é que é mesmo, sério. Eu achava Vigo bacana, mas quando cheguei aqui me encantei. Não tem como explicar, só vendo. Os prédios aqui são todos históricos, as ruas são todas bem cuidadas, muito lisinhas, cervejarias, bares e cafés em todos os lugares, a universidade e lindíssima, cheio de praças e monumentos em tudo que é lugar. É tudo muito europeuzinho. Um amor de cidade. Amei que eu tenha que viver aqui e não em Vigo. Embora seja menor, tem bastante coisas para se fazer, tem bastante comércio, também tem mar, só que tudo se pode fazer a pé – diferente de Vigo.<br />
Bom, a Silvia, na realidade, não ia morar comigo no ap (o que era uma pena, porque ela é bem legal). Ela estava de mudança para a Polônia – só por 6 meses – e precisava que alguém ficasse aqui no quarto dela. Foi nesse dia então que, além de conhecer a cidade, conheci o ap que ia morar, as gurias que iam morar comigo e O BAR DE BAIXO, que fica embaixo da minha sacadinha (sim, eu tenho uma sacada no quarto). Ela também estava organizando a despedida dela no dia seguinte, sábado. Então fiquei até umas 20h em Pontevedra e tomei o trem rumo a Vigo, para ficar mais uma noite no hotel.<br />
No dia seguinte, pela hora do almoço, minha mala finalmente chegou! Era o que estava faltando para ficar tudo ajeitado. Já tinha um ap, já sabia como fazer pra chegar na universidade, só faltava mesmo minha mala. Esse foi o sinal verde para deixar o hotel uma noite antes do previsto e vir de vez para Pontevedra.<br />
Vim, já fiz muita festa, fiquei amiga das amigas da Silvia, fiquei amiga dos donos do bar de baixo, já virei a cidade de cabeça pra baixo, tudo de domingo pra hoje.  Como a Sílvia arrumou todas as suas coisas e foi embora no sábado, desde então já estou oficialmente instalada aqui no ap com minhas coisas arrumadas. Agora, estou tentando dar início ao processo de matrícula para que possa começar as aulas. Ah sim, na minha casa não tem internet então tenho sempre que ir a uma cafeteria me conectar.<br />
Gostaria de terminar este post, portanto, contando como as pessoas da região da Galícia são boa gente. Desde o momento que cheguei ao aeroporto de Vigo até agora, aqui em Pontevedra com minhas colegas de quarto, todos foram muito atenciosos em me ajudar. Claro, uns mais simpáticos, outros menos, mas todos muito preocupados em dar auxílio e parecerem gentis.  Gosto muito como todos me dizem “se entende perfectamente” quando se trata do meu PORTUNHOL e como me ensinam quando não sei as palavras. Gostam de saber minha opinião sobre as coisas, gostam de saber como é no Brasil e as gurias da casa ficam interessadas em dizer às pessoas que estão morando com uma brasileira. Acho MUITO legal.<br />
Apesar do lugar ser lindíssimo, acho que o melhor daqui mesmo são as pessoas. Então tipo, por mais que tenha passado por uns azares no começo (e que agora também estou passando), as pessoas compensam, a cidade compensa, a própria aventura em si compensa.<br />
Maiores detalhes sobre os meus azares, sobre o ap, sobre as meninas da casa, sobre a comida, sobre a cerveja e sobre os hábitos locais darei posteriormente.

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