terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Paris é a cidade mais visitada da Europa, porém não necessariamente a mais legal. Existe gente que acaba visitando a capital francesa pela reputação e não pelo interesse em conhecer de fato o que há lá. E tem gente que, como eu, acha "o que há lá" nem um pouco interessante. Quero expor aqui alguns motivos pelos quais eu acho Paris mais perda de tempo [e dinheiro] do que diversão.

Veja bem, este post é uma opinião pessoal minha e tem por objetivo sugerir aos novos turístas uma visão mais aberta em relação às opções de cidades interessantes que a Europa oferece. Me baseio em coisas que eu mesma vivi e que escutei de amigos que tiveram experiências similares. Lembro também que sou estudante e pobre e minha opinião pode ser completamente dispensável em caso de o leitor pertencer às altas classes da sociedade.

Bom, o primeiro e principal fator contra Paris é o preço. Novidade, né? Hostels (não comentarei hotéis) geralmente têm uma diária bem alta e mesmo que você ache algum com preço relativamente ~pagável~, ele provavelmente vai ser um hostel com uma localização um tanto quanto desfavorável (e aí você gastará dinheiro com o transporte público da cidade, que será comentado no próximo ítem). Mais uma dica: não pense em ter fome ou sede perto do Arco do Triunfo e da Champs Elisèe, porque você vai ter que dar um dedo para comprar uma água. Ah, banheiro é sempre pago em qualquer lugar.

Ser uma cidade altamente turística significa lotada. E isso quer dizer: transporte público lotado, hospedagens lotadas em datas especiais, mais furtos e, consequentemente, mais mercadorias caras que fazem os turistas gastarem todo o seu dinheiro. Vai encontrar dificuldade em: comer em lugares mais baratos (como McDonalds e outros fastfoods) por estarem cheios, em tirar fotos sem que ninguém desconhecido saia nela, fazer trips pela cidade em bicicleta, roler, skate e até mesmo carro. Você vai pegar filas. 

Sujeira. Esta é mais uma das consequências, creio, do fato da cidade ser cheia. Em alguns lugares, a cidade até mesmo pode feder. E POSSO PROVAR: vá à estação da Eurolines (companhia de ônibus que circula por toda a Europa) e fique ali 5min.

Você já sabe grande parte das coisas que vai ver. Por ser tão popular, todo mundo já ouviu falar da Torre Eiffel (que é uma torre bem grande, de fato, e é isso aí), do Palácio de Versalhes, do quadrinho da Mona Lisa no museu do Louvre, de Notredame (que é uma IGREJA), do Arco do Triunfo, etc. As surpresas serão bem menores do que visitar uma cidade completamente nova.

Todas as situações que mencionei acima são fatores que deixam a cidade menos interessante, não? São problemas comuns em grandes cidades do mundo todo e bem evidentes em Paris. Os tomo como exemplo para desmitificar um pouco esse romantismo acerca da capital da França e os menciono como motivos consideráveis para pessoas que estão em dúvida para onde viajar na Europa e tem disponibilidade limitada, de alguma forma.

Cidades como Roma, Barcelona e Londres, que compartilham de características e problemas semelhantes, acabam se tornando lugares mais agradáveis pelas pessoas ~não-rudes~ ali vivem.

Mas, como isso aqui não é nenhum veículo de comunicação corrompido por interesses financeiros maiores, aí vão razões por que você deve, ou pode, ou pode vir a querer visitar esta francesinha pomposa (sim, dentro dos casos abaixo, você tem a minha ~benção~).

“Você fala francês, ou aprende, ou vai lá para aprender”. Vai pra Paris, meu filho. Vai poder praticar a língua, ter oportunidade de conhecer gente do mundo todo e, para os casos de intercâmbio, conhecer melhor e mais profundamente a cidade (e assim, talvez podendo acabar com todos os argumentos que dei para não visitar a cidade).

“Seu sonho da vida inteira foi visitar Paris.” Se eu ainda não consegui acabar com o seu sonho até aqui, então você deve ir a Paris. Vá! Liberte-se! Rompa das amarras do cotidiano e da rotina e obedeça a voz do seu coração. Vá subir na Torre Eiffel e se deleitar com a magnifica vista que vale cada centavo dos 15 euros pagos.

“Você conhece alguém lá.” Bem razoável, não?

Como eu não me encaixo em nenhuma das opções acima, aproveito, portanto, para sugerir cidades que considero tão bonitas e culturalmente ricas quanto Paris. Elas são: Budapeste, Praga, Edimburgo e Florença (Hungria, Rep. Tcheca, Escócia e Itália). Todas consideradas turismo secundário na Europa, mas não menos interessante. [Já fiz um post sobre Praga, ele pode ser lido aqui]

Mesmo assim, tem gente que foi pra Paris e amou. Essas pessoas são bem-vindas a escrever para este blog por que suas experiências na capital francesa foram bacanas e dar dicas sobre.

Para terminar, explico por que eu fui parar em Paris. Para sair da Península Ibérica de trem para destinos como Alemanha, Benelux ou Reino Unido é necessário parar em Paris para trocar o trem. Paris tem umas 348903802 estações gigantescas. Eu acabei parando por lá 2 vezes, uma de um dia e outra que eu tive que passar a noite. Nenhuma das vezes eu pretendia ficar em Paris, queria simplesmente trocar de trem e seguir o meu destino o mais rápido possível, mas como era verão – e no verão o tráfico de gente entre os países aumenta – era difícil demais tomar um trem de longa-distância sem ter feito reserva com semanas de antecedência. E foi assim que eu não tive escolha.




Caculadoras de tarifa de taxis em diversas cidades do mundo:

Taxi Fare Calculation
Taxi Prices - este não faz os cálculos, mas disponibiliza alguns preços aproximados para trajetos comuns, além de outras informações como onde encontrar os taxis na cidade, por exemplo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Viajar dentro da Europa pode ser bem barato. Ou não. É necessário pesquisar muito entre os sites de diversas companhias de transporte a fim de descobrir a forma mais barata de viajar. O preço pode variar não só em função do meio de transporte, como também da empresa que transporta, data, origem, destino e horário.
Para auxiliar na pesquisa e na comparação de preços, elaborei uma lista de links de empresas de transporte com comentário.

Avião (selecionei somente as companhias low-cost):

- Ryanair - vôos muito baratos, aeroportos em quase todos os países da Europa Ocidental.
- Wizzair - vôos baratos, aeroportos principalmente no centro e leste europeu.
- Easyjet - não tão baratos como os de acima, grande número de aeroportos.
- Vueling - grande número de aeroportos na Espanha e em Portugal.
- Skyscanner - não é companhia, mas eles encontra as tarifas mais baratas entre as companhias. Eu não confio muito, mas para o caso de vôos muito específicos, pode ser que ele ajude!

Atenção às promoções. Elas são o jeito mais barato de viajar.
Cuidado com as taxas de cartão de crédito e com as restrições de bagagem.
Quem quiser compartilhar com mais links, sempre é bem-vindo a participar.
Outras companhias aéreas europeias que também se encaixam em "low-cost": Germanwings, Iceland Express, Aer Arann, Air Baltic, Air Berlin, entre outras.


Trem (não é barato viajar de trem):

- DB Bahn - A companhia de trem da Alemanha. Embora a companhia funcione somente na Alemanha, o site deles é o MAIS eficiente para encontrar trens por toda a Europa! Eles têm dados de trens de quase todos os países e ainda permitem que se escolha "somente trens locais" (no caso de utilizar um passe Eurrail, Interrail*, ou algum outro passe que seja válido em uma região específica) ou todos os trens (incluindo os trens de longuíssima distância ou super-rápidos que necessitam de reserva antecipada). Enfim, para encontrar rotas internacionais, é nesse site.
- Rail Europe - site para reserva de trens antecipadas. Você só vai necessitar este tipo de serviço se o trem for internacional (trechos que não possam ser feitos com trens locais). Reservas também podem ser feitas na própria estação de trem**.
- SNCF - trens na França.
- Renfe - trens na Espanha
- Trenitalia - trens na Itália
- Virgin Trains - trem no Reino Unido
- Polrail - trens na Polônia
- NS - trens nos Países Baixos

* Eurail e Interrail - são passes de trem que possibilitam diversas jornadas em um dia ou diversos dias, em um país ou diversos países. O Interrail é somente para cidadãos da Europa (não necessariamente UE) ou residentes há mais de 6 meses (com carteira ou algum documento de residente, portanto). Logo, o Eurail é o passe dos não europeus.
Este último deve ser feito antes da chegada na Europa, pois lá NÃO é possível fazê-lo (ou então ele pode ser enviado por correio). Além disso, é importante verificar os prazos de validade do bilhete, para que não vençam na época em que for ser validado (já no continente europeu). Infelizmente, ele também é um passe bem mais caro e limitado que o Interrail. O Eurail pode ser feito em agências de viagem ou mesmo pela internet.

Ônibus (low-cost):
- Megabus - empresa presente no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Através das promoções se consegue preços muito baratos.
- Eurolines - presente em muitos locais na Europa.
- Alsa - onde a Eurolines não alcança. Empresa de ônibus em Portugal e Espanha.

Ônibus de viagem tomei somente com estas três companhias, portanto não tenho conhecimento de outras de baixo custo.

Espero que sejam dicas úteis para quem vai viajar. Hasta luego!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


Fazem dois dias que voltei de Copenhagen. Sexta-feira de manhã alugamos um carro aqui na Alemanha e conduzimos por 7 horas rumo à capital da Dinamarca. Foram sete horas bem interessantes, levando em conta que foi a primeira vez que andei de carro na Alemanha. Além disso, as estradas são excelentes e eu não estava dirigindo.
Após cruzar a fronteira, o caminho fica ainda mais bonito. A Dinamarca é composta por ilhas, portanto cruzar as enormes pontes que cortam os estreitos do mar do Norte ao anoitecer (lá pelas 16h) pode ser deveras agradável.
Fazia um frio do do diabo (venta muito!) e os preços não são muito amigáveis. Mesmo assim, no curto tempo do fim de semana, conseguimos aproveitar a cidade e algumas das atrações turísticas [baratas].
Abaixo vão as sugestões do que ver na cidade. Basicamente um levantamento das coisas que eu fiz e que são padrão estudante [pobre].

- Walking tour: essa parece uma dica meio óbvia, já sei. Não são em todas as cidades que eu faço walking tour, mas quando se tem pouco tempo para ver muitas coisas, é sempre bom fazê-lo. Este em particular gostei muito, já que o guia contou brevemente a saga dos vikings, as proezas (que eu não sabia que haviam sido tantas) e as desgraças ocorridas ao longo da história do povo dinamarquês. Além disso, é gratis.

- Visita à fábrica da Carlsberg: recomendo a fábrica da Carlsberg assim como recomendo a fábrica da Heineken em Amsterdam. Para quem gosta de cerveja, vai ter a oportunidade de saber um pouco mais sobre o [bróder] Jacobsen, o senhor inventor da Carlsberg e de outras tantas marcas (inclusa uma das mais caras do mundo). A lojinha de souvenirs também é legal, e é possível comprar a cerveja.

- Christiania: para quem nunca ouviu falar, Christiania é uma comunidade independente dentro de Copenhagen. Em 1971, anarquistas, hippies, idealistas e artistas ocuparam uma região no subúrbio da cidade como forma de protesto contra o governo, iniciando assim, o que seria  hoje a comunidade Christiania, inspirada por ideais anarquistas.
Bom, a entrada nesta comunidade é livre. As casas são rústicas e é possível ver acampamentos em alguns locais. Nesta comunidade, a venda de cannabis é permitida, porém o uso de drogas fortes (como a heroína) é proíbido. Também é proibido tirar fotos, correr, porte de armas de fogo ou utilizar qualquer tipo de fogos de artifício. Os mercadinhos me lembraram um pouco de Camden Town, em Londres.
Enquanto caminhamos pela Pusher Street, existem grupos de "seguranças" do lugar, compostos por moradores. Eles ficam vigiando e gritando para os turistas desobedientes que é proibido tirar fotos. Não são muito simpáticos, de fato. Além disso, os vendedores de cannabis espantavam os turistas que vinham só de curiosos olhar suas ofertas, abrindo espaço para os clientes ~sérios~.
Existe uma certa tensão no ar que deixa a comunidade menos confortável [Diferente da tranquilidade de Amsterdam, onde a cannabis também é ~legal~]. Parece que estão, ou talvez de fato estejam, esperando que a qualquer minuto a polícia invada a rua e leve todos presos. Mesmo assim, as os visitantes não se intimidam e não deixam de caminhar pela comunidade.
A arquitetura pitoresca, os ideais anarquistas, a história e o mercado barato (diferente de Copenhagen) e outras curiosidades trazem famílias, crianças, velhinhos e todo o tipo de gente para conhecer. Infelizmente, só consegui tirar fotos da entrada e da saída, uma vez que avançar em direção ao bairro com a câmera na mão não seria possível. Aliás, em uma das saídas da cidade, há um letreiro bem grande escrito "você está voltando para a União Européia".


- A pequena sereia: o escritor desse conto é dinamarquês, então há uma estátua de sereia na beira do mar. Nada demais, mas o caminho até lá, ao lado do porto, é bem tri.

- Museus: são dois, o National Museum e o Viking Ship Museum. O primeiro é grátis, o segundo tem uma taxa pequena. Não consegui encontrar tempo para visitá-los, infelizmente.

- Noite: passamos duas noites em Copenhagen. A primeira noite, que eu só fiquei pelo centro e depois voltei pra casa, meu amigos foram num bar chamado Meat Market. Dizem que comparado com os outros preços da cidade, esse Meat Market é ~pagável~. 
Na segunda noite, e esta eu fui, fomos ao bar Rhino. Fomos levados para este bar por amigos dinamarqueses que encontramos através do CouchSurfing. Gente boa, todos eles! Sobre o bar, não é necessário pagar para entrar e quem quiser, apesar do espaço, pode dançar. Além disso a bebida não é tão cara como outros bares famosos da cidade, acho que vale a pena.
Aliás, foi nesse bar que vimos uma BRIGA VIKING! Tá, na verdade, foi uma briga normal. Começou com dois caras, um muito grande e um mais ou menos pequeno. Depois a briga foi se espalhando e quando vimos, já tinham uns 10 participando. Todos chamando uns aos outros na chincha. O ~evento~ durou uns 15 minutos e depois tudo voltou ao normal. Nossos amigos dinamarqueses ficaram nos pedindo desculpas e dizendo que isso não costumava acontecer com frequência, mas a verdade é que achamos bem legal. 

Domingo pela manhã recolhemos nossas coisas e voltamos a Alemanha. Existe duas formas de cruzar a fronteira, uma pela estrada (que foi como viemos) e outra pela balsa. A volta fizemos de balsa, para economizar gasolina e ver como é.

Finalizando com algumas curiosidades sobre a Dinamarca:
  • A rainha da Dinamarca que traduziu o livro do Senhor dos Anéis de inglês para dinamarquês.
  • Os dinamarqueses brindam com a palavra "skol", que significa o mesmo que "skull" em inglês (crânio). Essa expressão vem de uma antiga atividade viking que consistia em arrancar a ~tampa~ e o cérebro da cabeça dos seus inimigos e BEBER CERVEJA ali mesmo. Então eles levantavam os seus ~copos~ e diziam "skol". ---- "Saúde" é coisa de mulherzinha. "Tim-tim" então...
  • Os vikings chegaram na América do Norte 600 anos antes de Cristóvão Colombo.



Chegando em Copenhagen, nos deparamos com bicicletas. Para todos os lados, de todos os tipos, tamanhos, número de passageiros, cores, estacionadas ou guiadas, novas ou velhas. Claro que esta não é a primeira vez que vejo tantas bicicletas. Aqui na Alemanha as pessoas utilizam muitissimo e também não me lembro de ver mais bicicletas juntas do que Amsterdam. Mas o fato é que Copenhagen também mantém o trânsito de bicis muito grande e uma vez lá, passei a refletir na possibilidade de um brasileiro percorrer todos os dias 20km de bicicleta para ir ao trabalho, assim como fazem os dinamarqueses, holandeses e tantos outros.

É sabido que no Brasil pouquíssimas pessoas utilizam a bicicleta como seu meio de transporte diário. Isso não só é culpa da nossa falta de vontade, mas também da falta de segurança para o ciclista nas nossas cidades com menos estrutura e com motoristas menos respeitosos. O Marcos costuma dizer que país que é desenvolvido pode ser reconhecido pela quantidade de bicicletas. Até agora a teoria dele deu certo, na minha opinião.

Abaixo, um vídeo de 6 minutos sobre o trânsito de bicicletas em Copenhagen, um exemplo para cidades do mundo todo:

Fotos de Copenhagen já estão sendo adicionadas ao meu Tumblr: laurabarros5.tumblr.com :)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A cidade onde eu vivo aqui na Alemanha se chama Paderborn. É uma cidade pequena - uns 160 mil habitantes - localizada na província de Nordrhein-Westfalen, ao noroeste do país. Nesta mesma província estão situadas algumas cidades conhecidas da Alemanha, como Colônia, Düsseldorf, Dortmund e Hannover. Nordrhein-Westfalen também faz fronteira com os Países Baixos e a Bélgica.

São duas as cadeiras que eu faço na Universidade de Paderborn, ambas lecionadas em inglês. Uma se chama "Comparative and International Employment Relations", que, como diz o nome, faz uma comparação das relações de trabalho e tendências econômicas entre diversos países, e a "Gamespiel", que, separados em grupo, os estudantes realizam uma simulação de mercado, lançando, modificando e vendendo produtos em um setor específico. As aulas de alemão, que também terão os créditos aproveitados, tomam a maior parte do meu tempo. São entre 3 a 4 vezes por semana, 2 horas cada aula, no mínimo.

Durante a semana procuro estudar, fazer algum tipo de exercício físico, atividades ~do lar~ (como ir ao super, lavar a roupa, limpar a casa e cozinhar), sair de noite pelo menos uma vez, etc. Os clubes noturnos aqui não são muitos, não são necessariamente legais e tampouco gratuitos. Para suprir a falta de entretenimento noturno, as próprias faculdades e o Eurobis (um setor da uni composto por alunos, responsável por "cuidar" dos alunos internacionais) organizam festas evetualmente.

Eu costumava andar de roller durante às tarde e aos finais de semanas no início do semestre. Parei, mas só porque começou a fazer muito frio. Não é mais tão agradável ficar do lado de fora. Porem, os rollers que eu comprei vou levar para o Brasil com certeza. Cinema e bares aqui em Paderborn me parecem opções um tanto difíceis. O cinema porque todos os filmes são dublados e eu ainda não tenho nível de alemão para entender um filme inteiro. Já os bares, porque a cerveja é limitada e absurdamente mais cara comparada com a cerveja que se pode comprar no super. E eu sempre compro cerveja no super. Admito que entretenimento não é um ponto forte de Paderborn, embora a cidade seja bem agradável. Tem muita infra-estrutura mesmo com tão poucos moradores, não é perigosa, fácil de ir para qualquer outro lugar e bonita. 

Como é fácil de viajar, normalmente não fico em casa nos findes. Às vezes passo o dia em alguma das cidades da província, às vezes saio de viagem por 3 ou 4 dias para outros países. Difícilmente passo mais do que 4 dias fora de Paderborn (desde setembro), em função da presença em sala de aula obrigatória no alemão.

Vivo aqui há quase 5 meses. Faltam menos de 2 meses para eu voltar para o Brasil e somente agora resolvi postar sobre a Alemanha... Antes tarde do que nunca! Ressalto que tem sido muito bom viver aqui, que estudar alemão é muito interessante e que a Universidade de Paderborn tem muita qualidade.

Dois fins de semanas atrás, eu e o Marcos fomos à Polonia - algo que devo contar em posts futuros. Já no próximo fim de semana, eu, o Marcos e o Leo vamos a Copenhagen, na Dinamarca. Trarei algumas novidades se possível.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Passei este último fim de semana na cidade de Praga. Embora isso já fosse esperado, não posso deixar de registrar o quão linda, agradável e interessante é a capital da República Tcheca, que consegue não somente divertir com muito boa cerveja, mas também comover com seu passado que pertenceu outrora a países alheios.
De fato, é bom reservar um tempo da viagem para ouvir as histórias que os tchecos tem a contar sobre diferentes períodos que o país já vivenciou, como a separação com a Eslováquia, o fim do comunismo, a tomada pelos nazistas e a presença na Segunda Guerra, e demais fatos históricos marcantes. Sei que posso estar ressaltando algo óbvio, porém faço lembrança que Praga é uma cidade onde a cerveja custa muito barato e é de altíssima qualidade, o que pode resultar na perda de muitas horas no bar. Felizmente eu não me permiti cair em tentação. Eu juro.
As principais atrações da cidade estão todas a "walking distance", ou seja, pode-se ir caminhando, porém pode ser importante aprender como tomar algum dos "street car" (ou trolleys, que são aqueles bondes urbanos), pois dessa forma se economiza muito tempo. Falando em tempo, eu passei dois dias e uma noite em Praga e achei pouco. Recomendo três dias para que se possa ver tudo (todos os museus, todo o castelo, a cidade velha, a cidade nova, enfim, conferir o que a cidade te oferece) além de desfrutar de momentos de lazer (falo dos parques, bares, fazer compras, etc.).
O verão de Praga pode ser bem quente - como 30ºC e um sol de matar - por isso considero que a melhor época de visita seja o inverno: há neve, a cidade fica mais bonita, mais barata e há menos turistas.
  • Contruções importantes:
Iniciemos, portanto, pelo Castelo de Praga, considerado o maior do mundo, que está um pouco afastado do centro da cidade, mas de visita indispensável. Fundado no século IX, o castelo tem um aparência incomum e não muito esperada quando se utiliza a palavra "castelo". Está mais para um ajuntamento de prédios históricos que circundam igrejas. Isso provavelmente se deve à quantidade de vezes que foi reformado e reconstruído, tomando uma aparência mais recente e de traços clássicos ao longo da era moderna e posteriormente na contemporaneidade.
Dependendo do tempo disponível e do dinheiro que se quer gastar, se podem comprar tickets diferentes, para conferir um número diferente de atrações. O ticket de visita completa custa por volta de 14 euros e pode tomar aproximadamente quatro horas. Já a visita curta custa por volta de 10 euros e dura umas duas horas e meia. Há descontos para estudantes. Veja a lista completa de preços aqui.
Existem atrações grátis no castelo, como os jardins reais, todo o pátio e a possibilidade de ver o castelo por fora, a troca da guarda, parte da catedral São Vito e exposições que possam estar acontecendo nos museus ali presentes.
O que eu acredito que vale a pena pagar no castelo (mas que eu não paguei igualmente, pois optei pela trip grátis):
- Antigo Palácio Real
- Exposição da História do Castelo
- Torre de Pólvora
Não recomendo que se pague para ver (deixo claro que é a minha opinião):
- a catedral, pois gratuitamente se vê grande parte da igreja.
- a basílica, pois é outra igreja e existem outras igrejas interessantes pela cidade.
- a Torre Sul da catedral, pois é possível obter uma vista melhor da cidade através da Torre Petrin, e também  porque ao lado da escadaria do castelo já se consegue ter uma vista bacana.

Depois do Castelo, os próximos são o Monastério Strahov e a Torre Petrín, que estão ali perto. Quanto ao monastério, eu não fui, mas para chegar na Torre Petrín, é necessário tomar o funicular que sai da rua Újezd, não muito longe do castelo. Para entrar e admirar a melhor vista da cidade, é preciso pagar 6 euros.

Saindo da torre, já se pode cruzar o rio Vltava através da ponte mais bonita e famosa de Praga: a Ponte Carlos. Essa ponte, que teve sua construção iniciada no século IV pelo rei Carlos IV, demorou por volta de onze séculos para ficar pronta e, a partir de então, decorada com as estátuas barrocas que ali se encontram.

Por último e não menos importante, o famoso relógio astronômico Orloj, localizado no coração da Cidade Velha. O relógio é realmente muito bonito e interessante, de forma que se pode ficar ali uns bons minutos tentando entender o funcionamento deste. Ao final das contas, até agora tento entender o relógio. A cada hora o relógio faz uma apresentação mecânica que pode se tornar mais interessante ao saber o significado dos personagens ali representados. De qualquer forma, aproveite para conhecer a praça da Cidade Velha e as redondezas.


  • Museus:
Para quem tem interesse em história natural, o imponente Museu Nacional, situado muito próximo à estação de trem, pode ser uma boa idéia. Este está aberto todos os dias, entre 9h-17h. Outro, que obviamente não podia faltar, é o Museu do Comunismo, localizado próximo ao Museu Nacional e aberto todos os dias, mesmo feriados, das 9h às 21h. Existem museus dentro do Castelo de Praga e também na Sinagoga Pinka, que será tratada mais adiante.
  • Igrejas e Sinagogas:
A igreja Nossa Senhora Vitoriosa é a igreja que abriga a famosa imagem do Menino Jesus de Praga, sendo, portanto, destino de um forte turismo religioso. Outra igreja, porém, me chamou muito mais atenção. Confesso que não sou muito fã de visitar igrejas - especialmente as pagas - mas geralmente acabo fazendo, a fim de ver o que há de arte dentro. De fato, a igreja de Santiago (Saint James) me interessou pela forma pesada com que as imagens barrocas compõe o interior da igreja, bem fascinante. Outro detalhe curioso é um braço humano que está pendurado do lado oposto ao altar (sim, um braço humano de verdade!) desde a Idade Média. O braço está ali, somente em ossos ou talvez menos que isso, pendurado através de uma corrente.
A sinagoga mais turística da cidade está basicamente na entrada do bairro judeu e se chama Sinagoga Espanhola. Ela possui uma arquitetura mourisca, similar ao estilo encontrado na Espanha, porém mais atual. Infelizmente, quando fui ao bairro judeu já estava tarde e não pude entrar nas sinagogas. 
Merece especial destaque a sinagoga Pinkas, que hoje tem como exposição permanente os "Desenhos de Crianças do Teresín 1942-1944", lembrando que no campo de concentração de Teresín, entre essa data, encontravam-se mais de dez mil crianças. São mais de quatro mil desenhos originais ali expostos. Veja mais sobre esta sinagoga aqui.
  • Lazer:
Falemos de cerveja. Melhor do que cerveja de alta qualidade, é cerveja de alta qualidade + servida em bar por um preço barato. Os dois pubs que me parecem mais legais na cidade são o The Pub e o Beer Museum, os dois com propostas diferentes. O Beer Museum tem uma grande variedade de chopps (eu nunca vi variedade maior, para falar a verdade), são aproximadamente 20 torneiras, cada uma com uma marca de cerveja diferente e o preço aproximado de EUR 1,50 por cada 500ml. Além disso, é possível fazer "degustação", pois eles vendem a medida de 150ml também.
"Se o Beer Museum é assim, porque eu iria ao The Pub?" me perguntei, ingenuamente, antes de saber como funcionava o The Pub. A resposta foi simples: torneira de Pilsener na mesa. A torneira permite que o cliente se sirva quanto quiser, da forma que quiser (elegindo o tamanho do colarinho branco no copo), enquanto um medidor eletrônico conta quantos litros estão sendo bebidos na mesa. Através desse medidor eletrônico, também é possível separar comandas - caso a conta seja paga separadamente - pedir música no jukebox e fazer algum pedido do menu. Tudo ali, na própria mesa. O preço de cada 500ml de Pilsener também é EUR 1,50 aproximadamente.

Muitos dizem que Praga é uma cidade barata. Em relação a serviços, verdade. Em relação a compras, nem tanto. De fato, demorei para encontrar um lugar onde pudesse encontrar um chaveiro que custasse menos que 4 euros. Felizmente, encontrei (através da dica de um amigo) uma feirinha de artesanato na rua Havelská (muito perto da Praça da Cidade Velha) bem barata, que considerei o melhor lugar para comprar souvenirs. Para compras de roupas, sapatos e acessórios de marcas conhecidas, as lojas da rua Dlouha dão conta.

Para finalizar, pode ser interessante andar de barco a remo ou pedalinho no rio Vltava. Custa por volta de 6 euros por hora e os locais para aluguel estão localizados perto da ponte most Legii.

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