Por fim chegou a data da minha partida. Foram 12 bons meses vividos intensamente no Velho Continente. Acho que está na hora de fazer um balanço do que foi feito, visto, conhecido e agregado. Fazer uma comparação entre os primeiros 6 meses de 2011 e os últimos 6, tendo em vista a grande diferença entre os dois países separados apenas por uma França.
A começar, portanto, pela parte mais legal, o que eu vi e fiz aqui que mais me impressionaram. Quando digo “impressionar”, significo as situações destacadas por serem ou “lindas demais” (de beleza mesmo, explicitamente), ou um fator histórico muito importante (porque história e geografia são matérias que eu curto demais), ou por serem alguma experiência única que eu provavelmente não viveria no Brasil. A lista é larga, admito. Mas isso é uma coisa boa, certo?
- Campos de concentração de Auschwitz I e II – os adultos diriam “mas que barbaridade, colocar o holocausto na lista” e a minha resposta seria “óbvio!”. A Segunda Guerra e o holocausto sempre soam como fatos históricos muito mais distantes do que realmente são para quem nasceu no continente americano 5 décadas após o ocorrido. A verdade é que somente visitando os campos – que são gratuitos e estão lá, do jeito que foram deixados pelos alemães – a gente consegue entender o que de fato foi vivido não só pelos judeus da Polônia, mas sim por judeus oriundos de uma série de países vítimas do nazismo na guerra. É triste, é tocante, mas é a realidade e está lá para ser visto.
O campo II, gigantesco, foi deixado completamente intacto, exceto pelas câmaras de gás, que os próprios alemães explodiram com dinamite para apagar evidências do crime de guerra. O campo I, muito menor que o segundo, teve parte dele transformada em museu (o museu mais terrível que eu já visitei). Os campos são localizados na Polônia, cerca de 2h da cidade da Cracóvia. Pela onda de emoções causada por estes dois locais, eu os coloco em primeiro na minha lista.
- Plitwice Lakes National Park – localizado na Croácia, bem no meio do caminho entre a cidade de Zadar e a capital Zagreb e na fronteira com a Bósnia. O parque é na verdade uma reserva natural que guarda lagos arranjados em cascatas. Melhor: são vários lagos, verdes, transparentes, cheios de peixinhos e patinhos e lindezas, em diferentes níveis de altitudes, gerando quedas d’água. São os lagos mais bonitos que eu já vi na vida. A entrada ao parque está sujeita à cobrança, mas vale muito a pena. O passeio inclui caminhada dentro da área verde, como uma trilha, pontes, cruzar cascatas, entrar em cavernas, tomar um barco, entre outras coisas. Infelizmente não é possível nadar. O parque é patrimônio mundial da UNESCO.
- Ilha de Capri – Eu não dava nada pra essa ilha. Porém, uma vez nela, me dei conta de que estava muito enganada. O mar tem uma cor entre azul e verde muito viva que eu nunca tinha visto na vida. A vegetação é densa em algumas partes e dá para fazer uma trilha bem interessante [e cansativa]. A parte “urbana” da ilha é composta por coisas caras: casarões que valem milhões, restaurantes caros, souvenirs que tem valor de barras de ouro que valem mais do que dinheiro, etc. Quando eu for rica, terei minha casa de passar o verão lá. A ilha é localizada no sul da Itália e muito fácil de chegar quando se está em Nápoles.
- Me perder no sul da Bulgária de carro e cruzar a fronteira com a Macedônia – esta situação aconteceu por acaso nesse fim de semana passado. Com um carro alugado, tomamos alguma estrada errada após passar pela cidade de Blagoevgrad, na Bulgária e acabamos nos direcionando ao sul, ao invés de oeste. A verdade é que isso não nos incomodou em nada. Já estavámos muito satisfeito com a paisagem proporcionada pela Bulgária e tomando a estrada para o sul só tornou isso melhor. Era uma paisagem montanhosa, repleta de neve no pico, com rios correndo pelo vale.
A Bulgária é um país onde o subdesenvolvimento é notável. Essa estrada que tomamos, E79, é uma das maiores do país e mesmo assim, havia momentos em que o asfalto desaparecia e se tornava estrada de chão. Passávamos por dentro de vilarejos muito pequenos, onde as pessoas estavam vestidas tipicamente e seu meio de transporte era o burro marrom, comum naquela região. Bem rural mesmo MESMO. Fomos pegos de surpresa quando vimos ovelhas na estrada, sendo pastoreadas.
Está na lista pela situação toda: montanhas, neve, ruralidade local e desconhecimento de turistas por parte da população, burros e ovelhas. Esse composto é magnífico, acreditem.
- Estreito de Gilbraltar – praia de Tarifa, sul da Espanha. Algumas ruínas árabes em um trapiche que separam o verde e ondulado oceano Atlântico do azul Meditârreano. Parece um efeito de Photoshop ao vivo. Ao olhar para o horizonte, é possível enxergar terra e alguns morros. Isso porque, do outro lado do Meditâneo, somente a 13km de distância, está a cidade de Tanger, no Marrocos. Ou seja, o estreito tem esse nome por quase ligar o continente africano ao continente europeu. Além disso, faz a separação do Atlântico e dá “início” ao Mediterrâneo.
- Warschauer strasse – Berlim underground. A Warschauer Strasse não é muito conhecida pelos turistas, embora haja Walking Tours que levam visitantes ali todos os dias. A aparência do lugar não é atrativa, na verdade, ali o tráfico de drogas é de certa forma intenso, o acumulo de lixo é grande e os moradores tem como vizinhos ratos do tamanho de cavalos. É um pouco sinistro sim. Por outro lado, se concentra ali muita arte urbana, que muitas vezes busca força em fatos político-sociais, devido a história recente do local. À noite, Warschauer Strasse, com sua reunião de clubs, bares e opções noturnas baratas, atrae gente de tudo que é tipo e que aprecia diversos estilo de música.
Mulherzinhas medrosas não são bem-vindas. Liberte o macho peludo que está dentro de você e vá fazer festa no melhor pico de Berlim. E não esqueça da faca para a peleia com os traficantes e do espeto para fazer churrasco de rato.
- Christiania – está é a cidade anarquista localizada dentro de Copenhagen, Dinamarca. Já escrevi um post sobre Christiania AQUI.
As cidades que eu mais gostei de visitar, porém, não tem nada a ver com a lista acima. Por sinal, a minha seleção de cidades considerou fatores como quantidade de opções e possibilidades do que fazer (nota: fazer, e não ver), preço e obviamente experiência pessoal (que inclui pessoas que conheci). Nesta lista ocupam os três primeiros lugares as cidades de Edimburgo (Escócia), Budapeste (Hungria, e já digo que é a melhor cidade entre centro e leste Europeu) e Berlim (Alemanha). As duas últimas ganham pontos extras pela riqueza histórica recente e a primeira ganha pontos extras pela beleza.
Poderia gastar um post inteiro para cada uma, logo não me prolongarei (a gente sempre fica esperando a chance de usar a mesóclise, mas com o “não” ali fica foda). Ainda haverá a parte 2 deste post e caso a minha falta de sucintidade fique comprovada, pode ser que haja uma parte 3.







