segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Por fim chegou a data da minha partida. Foram 12 bons meses vividos intensamente no Velho Continente. Acho que está na hora de fazer um balanço do que foi feito, visto, conhecido e agregado. Fazer uma comparação entre os primeiros 6 meses de 2011 e os últimos 6, tendo em vista a grande diferença entre os dois países separados apenas por uma França.
                A começar, portanto, pela parte mais legal, o que eu vi e fiz aqui que mais me impressionaram. Quando digo “impressionar”, significo as situações destacadas por serem ou “lindas demais” (de beleza mesmo, explicitamente), ou um fator histórico muito importante (porque história e geografia são matérias que eu curto demais), ou por serem alguma experiência única que eu provavelmente não viveria no Brasil. A lista é larga, admito. Mas isso é uma coisa boa, certo?
                - Campos de concentração de Auschwitz I e II – os adultos diriam “mas que barbaridade, colocar o holocausto na lista” e a minha resposta seria “óbvio!”. A Segunda Guerra e o holocausto sempre soam como fatos históricos muito mais distantes do que realmente são para quem nasceu no continente americano 5 décadas após o ocorrido. A verdade é que somente visitando os campos – que são gratuitos e estão lá, do jeito que foram deixados pelos alemães – a gente consegue entender o que de fato foi vivido não só pelos judeus da Polônia, mas sim por judeus oriundos de uma série de países vítimas do nazismo na guerra. É triste, é tocante, mas é a realidade e está lá para ser visto.
                O campo II, gigantesco, foi deixado completamente intacto, exceto pelas câmaras de gás, que os próprios alemães explodiram com dinamite para apagar evidências do crime de guerra. O campo I, muito menor que o segundo, teve parte dele transformada em museu (o museu mais terrível que eu já visitei). Os campos são localizados na Polônia, cerca de 2h da cidade da Cracóvia. Pela onda de emoções causada por estes dois locais, eu os coloco em primeiro na minha lista.
                - Plitwice Lakes National Park – localizado na Croácia, bem no meio do caminho entre a cidade de Zadar e a capital Zagreb e na fronteira com a Bósnia. O parque é na verdade uma reserva natural que guarda lagos arranjados em cascatas. Melhor: são vários lagos, verdes, transparentes, cheios de peixinhos e patinhos e lindezas, em diferentes níveis de altitudes, gerando quedas d’água. São os lagos mais bonitos que eu já vi na vida. A entrada ao parque está sujeita à cobrança, mas vale muito a pena. O passeio inclui caminhada dentro da área verde, como uma trilha, pontes, cruzar cascatas, entrar em cavernas, tomar um barco, entre outras coisas. Infelizmente não é possível nadar. O parque é patrimônio mundial da UNESCO.
- Vulcão Vesúvio – localizado na Itália, o Vesúvio foi  vulcão que destruiu as cidades de Pompéia e Hecorlano, deixando apenas ruínas. Eu e meus companheiros de viagem brasileiros e mexcanos o subimos/”escalamos”. Eu achei que ia encontrar lava dentro da cratera, como nos desenhos, mas nem. O que tinha era só rocha, solo e poeira de vulcão. Embora as pessoas me digam que era óbvio que não haveria lava, pois um ser humano não sobreviveria se subisse à cratera, eu me decepcionei mesmo assim. De qualquer forma, entra na minha lista porque não é todo o dia que subimos num vulcão, não é verdade? Custava só 6 euros e a vista lá de cima é bem irada. Além disso, conseguimos umas fotos bacanas. As ruínas das cidades também são muito impressionantes (mesmo!) e as incluo aqui, em conjunto com o vulcão (Kit completo ruínas + vulcão).
                - Ilha de Capri – Eu não dava nada pra essa ilha. Porém, uma vez nela, me dei conta de que estava muito enganada. O mar tem uma cor entre azul e verde muito viva que eu nunca tinha visto na vida. A vegetação é densa em algumas partes e dá para fazer uma trilha bem interessante [e cansativa]. A parte “urbana” da ilha é composta por coisas caras: casarões que valem milhões, restaurantes caros, souvenirs que tem valor de barras de ouro que valem mais do que dinheiro, etc. Quando eu for rica, terei minha casa de passar o verão lá. A ilha é localizada no sul da Itália e muito fácil de chegar quando se está em Nápoles.
                - Me perder no sul da Bulgária de carro e cruzar a fronteira com a Macedônia – esta situação aconteceu por acaso nesse fim de semana passado. Com um carro alugado, tomamos alguma estrada errada após passar pela cidade de Blagoevgrad, na Bulgária e acabamos nos direcionando ao sul, ao invés de oeste. A verdade é que isso não nos incomodou em nada. Já estavámos muito satisfeito com a paisagem proporcionada pela Bulgária e tomando a estrada para o sul só tornou isso melhor. Era uma paisagem montanhosa, repleta de neve no pico, com rios correndo pelo vale.
                A Bulgária é um país onde o subdesenvolvimento é notável. Essa estrada que tomamos,  E79, é uma das maiores do país e mesmo assim, havia momentos em que o asfalto desaparecia e se tornava estrada de chão. Passávamos por dentro de vilarejos muito pequenos, onde as pessoas estavam vestidas tipicamente e seu meio de transporte era o burro marrom, comum naquela região. Bem rural mesmo MESMO. Fomos pegos de surpresa quando vimos ovelhas na estrada, sendo pastoreadas.
                Está na lista pela situação toda: montanhas, neve, ruralidade local e desconhecimento de turistas por parte da população, burros e ovelhas. Esse composto é magnífico, acreditem.
                - Estreito de Gilbraltar – praia de Tarifa, sul da Espanha. Algumas ruínas árabes em um trapiche que separam o verde e ondulado oceano Atlântico do azul Meditârreano. Parece um efeito de Photoshop ao vivo. Ao olhar para o horizonte, é possível enxergar terra e alguns morros. Isso porque, do outro lado do Meditâneo, somente a 13km de distância, está a cidade de Tanger, no Marrocos. Ou seja, o estreito tem esse nome por quase ligar o continente africano ao continente europeu. Além disso, faz a separação do Atlântico e dá “início” ao Mediterrâneo.

                - Aqueduto árabe – esse aqueduto fica em Granada, Espanha. O aqueduto ainda funciona, trazendo água do alto da montanha (que tem neve o ano todo) e desaguando num riozinho que corre ao lado da cidade. A água é bem transparente e limpa, e é possível entrar no aqueduto se quiser. Bem refrescante para o calor de 40ºC que fazia no momento. Dizem que o aqueduto árabe foi na verdade, uma cópia de um aqueduto romano existentes em outras cidades no sul da Espanha, porém os árabes o melhoraram muito em questão de eficiência. Tanto que funciona até hoje.
                - Warschauer strasse – Berlim underground. A Warschauer Strasse não é muito conhecida pelos turistas, embora haja Walking Tours que levam visitantes ali todos os dias. A aparência do lugar não é atrativa, na verdade, ali o tráfico de drogas é de certa forma intenso, o acumulo de lixo é grande e os moradores tem como vizinhos ratos do tamanho de cavalos. É um pouco sinistro sim. Por outro lado, se concentra ali muita arte urbana, que muitas vezes busca força em fatos político-sociais, devido a história recente do local. À noite, Warschauer Strasse, com sua reunião de clubs, bares e opções noturnas baratas, atrae gente de tudo que é tipo e que aprecia diversos estilo de música.
Mulherzinhas medrosas não são bem-vindas. Liberte o macho peludo que está dentro de você e vá fazer festa no melhor pico de Berlim. E não esqueça da faca para a peleia com os traficantes e do espeto  para fazer churrasco de rato.
                - Christiania – está é a cidade anarquista localizada dentro de Copenhagen, Dinamarca. Já escrevi um post sobre Christiania AQUI.
                As cidades que eu mais gostei de visitar, porém, não tem nada a ver com a lista acima. Por sinal, a minha seleção de cidades considerou fatores como quantidade de opções e possibilidades do que fazer (nota: fazer, e não ver), preço e obviamente experiência pessoal (que inclui pessoas que conheci). Nesta lista ocupam os três primeiros lugares as cidades de Edimburgo (Escócia), Budapeste (Hungria, e já digo que é a melhor cidade entre centro e leste Europeu) e Berlim (Alemanha). As duas últimas ganham pontos extras pela riqueza histórica recente e a primeira ganha pontos extras pela beleza.
                Poderia gastar um post inteiro para cada uma, logo não me prolongarei (a gente sempre fica esperando a chance de usar a mesóclise, mas com o “não” ali fica foda). Ainda haverá a parte 2 deste post e caso a minha falta de sucintidade fique comprovada, pode ser que haja uma parte 3.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Motivador para quem pretende visitar o Leste Europeu, desestimulante para quem pretende aparecer pelos países nórdicos. O Price of Travel enumerou as 40 cidades europeias mais visitadas, sendo a número 1 a mais barata e a número 40 a mais cara. A lista é bem conveniente para quem está planejando um mochilão pela Europa, além disso, o próprio site está repleto de dicas nesse sentido (como pode ser notado pelo nome).
Veja o post AQUI.
Quinta-feira eu embarco na minha última viagem aqui na Europa por 4 dias antes de voltar para o Brasil. Marcos e eu rumamos para Plovdiv, na Bulgária, onde vamos alugar um carro e percorrer o interior da Macedônia até a capital Skopjee; a partir daí tomamos um trem até Pristina, capital no novíssimo país Kosovo.
Buscando informações sobre os países balcãs (muitos deles recentemente formados, uma vez que eram parte da comunista Iugoslávia) e, sabendo da dificuldade que é encontrar informações da qualidade sobre eles, resolvi compartilhar esse link que o Marcos mesmo encontrou (sim, nesse caso tivemos que ir além do Wikitravel em inglês).
Aí está: http://www.balkanology.com/overview/index.html.

Além disso, meu amigo inglês Chris compartilhou um site bacana no meu mural do facebook, o Seat 61, que fornece informações sobre trens em toda a Europa.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Paris é a cidade mais visitada da Europa, porém não necessariamente a mais legal. Existe gente que acaba visitando a capital francesa pela reputação e não pelo interesse em conhecer de fato o que há lá. E tem gente que, como eu, acha "o que há lá" nem um pouco interessante. Quero expor aqui alguns motivos pelos quais eu acho Paris mais perda de tempo [e dinheiro] do que diversão.

Veja bem, este post é uma opinião pessoal minha e tem por objetivo sugerir aos novos turístas uma visão mais aberta em relação às opções de cidades interessantes que a Europa oferece. Me baseio em coisas que eu mesma vivi e que escutei de amigos que tiveram experiências similares. Lembro também que sou estudante e pobre e minha opinião pode ser completamente dispensável em caso de o leitor pertencer às altas classes da sociedade.

Bom, o primeiro e principal fator contra Paris é o preço. Novidade, né? Hostels (não comentarei hotéis) geralmente têm uma diária bem alta e mesmo que você ache algum com preço relativamente ~pagável~, ele provavelmente vai ser um hostel com uma localização um tanto quanto desfavorável (e aí você gastará dinheiro com o transporte público da cidade, que será comentado no próximo ítem). Mais uma dica: não pense em ter fome ou sede perto do Arco do Triunfo e da Champs Elisèe, porque você vai ter que dar um dedo para comprar uma água. Ah, banheiro é sempre pago em qualquer lugar.

Ser uma cidade altamente turística significa lotada. E isso quer dizer: transporte público lotado, hospedagens lotadas em datas especiais, mais furtos e, consequentemente, mais mercadorias caras que fazem os turistas gastarem todo o seu dinheiro. Vai encontrar dificuldade em: comer em lugares mais baratos (como McDonalds e outros fastfoods) por estarem cheios, em tirar fotos sem que ninguém desconhecido saia nela, fazer trips pela cidade em bicicleta, roler, skate e até mesmo carro. Você vai pegar filas. 

Sujeira. Esta é mais uma das consequências, creio, do fato da cidade ser cheia. Em alguns lugares, a cidade até mesmo pode feder. E POSSO PROVAR: vá à estação da Eurolines (companhia de ônibus que circula por toda a Europa) e fique ali 5min.

Você já sabe grande parte das coisas que vai ver. Por ser tão popular, todo mundo já ouviu falar da Torre Eiffel (que é uma torre bem grande, de fato, e é isso aí), do Palácio de Versalhes, do quadrinho da Mona Lisa no museu do Louvre, de Notredame (que é uma IGREJA), do Arco do Triunfo, etc. As surpresas serão bem menores do que visitar uma cidade completamente nova.

Todas as situações que mencionei acima são fatores que deixam a cidade menos interessante, não? São problemas comuns em grandes cidades do mundo todo e bem evidentes em Paris. Os tomo como exemplo para desmitificar um pouco esse romantismo acerca da capital da França e os menciono como motivos consideráveis para pessoas que estão em dúvida para onde viajar na Europa e tem disponibilidade limitada, de alguma forma.

Cidades como Roma, Barcelona e Londres, que compartilham de características e problemas semelhantes, acabam se tornando lugares mais agradáveis pelas pessoas ~não-rudes~ ali vivem.

Mas, como isso aqui não é nenhum veículo de comunicação corrompido por interesses financeiros maiores, aí vão razões por que você deve, ou pode, ou pode vir a querer visitar esta francesinha pomposa (sim, dentro dos casos abaixo, você tem a minha ~benção~).

“Você fala francês, ou aprende, ou vai lá para aprender”. Vai pra Paris, meu filho. Vai poder praticar a língua, ter oportunidade de conhecer gente do mundo todo e, para os casos de intercâmbio, conhecer melhor e mais profundamente a cidade (e assim, talvez podendo acabar com todos os argumentos que dei para não visitar a cidade).

“Seu sonho da vida inteira foi visitar Paris.” Se eu ainda não consegui acabar com o seu sonho até aqui, então você deve ir a Paris. Vá! Liberte-se! Rompa das amarras do cotidiano e da rotina e obedeça a voz do seu coração. Vá subir na Torre Eiffel e se deleitar com a magnifica vista que vale cada centavo dos 15 euros pagos.

“Você conhece alguém lá.” Bem razoável, não?

Como eu não me encaixo em nenhuma das opções acima, aproveito, portanto, para sugerir cidades que considero tão bonitas e culturalmente ricas quanto Paris. Elas são: Budapeste, Praga, Edimburgo e Florença (Hungria, Rep. Tcheca, Escócia e Itália). Todas consideradas turismo secundário na Europa, mas não menos interessante. [Já fiz um post sobre Praga, ele pode ser lido aqui]

Mesmo assim, tem gente que foi pra Paris e amou. Essas pessoas são bem-vindas a escrever para este blog por que suas experiências na capital francesa foram bacanas e dar dicas sobre.

Para terminar, explico por que eu fui parar em Paris. Para sair da Península Ibérica de trem para destinos como Alemanha, Benelux ou Reino Unido é necessário parar em Paris para trocar o trem. Paris tem umas 348903802 estações gigantescas. Eu acabei parando por lá 2 vezes, uma de um dia e outra que eu tive que passar a noite. Nenhuma das vezes eu pretendia ficar em Paris, queria simplesmente trocar de trem e seguir o meu destino o mais rápido possível, mas como era verão – e no verão o tráfico de gente entre os países aumenta – era difícil demais tomar um trem de longa-distância sem ter feito reserva com semanas de antecedência. E foi assim que eu não tive escolha.




Caculadoras de tarifa de taxis em diversas cidades do mundo:

Taxi Fare Calculation
Taxi Prices - este não faz os cálculos, mas disponibiliza alguns preços aproximados para trajetos comuns, além de outras informações como onde encontrar os taxis na cidade, por exemplo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Viajar dentro da Europa pode ser bem barato. Ou não. É necessário pesquisar muito entre os sites de diversas companhias de transporte a fim de descobrir a forma mais barata de viajar. O preço pode variar não só em função do meio de transporte, como também da empresa que transporta, data, origem, destino e horário.
Para auxiliar na pesquisa e na comparação de preços, elaborei uma lista de links de empresas de transporte com comentário.

Avião (selecionei somente as companhias low-cost):

- Ryanair - vôos muito baratos, aeroportos em quase todos os países da Europa Ocidental.
- Wizzair - vôos baratos, aeroportos principalmente no centro e leste europeu.
- Easyjet - não tão baratos como os de acima, grande número de aeroportos.
- Vueling - grande número de aeroportos na Espanha e em Portugal.
- Skyscanner - não é companhia, mas eles encontra as tarifas mais baratas entre as companhias. Eu não confio muito, mas para o caso de vôos muito específicos, pode ser que ele ajude!

Atenção às promoções. Elas são o jeito mais barato de viajar.
Cuidado com as taxas de cartão de crédito e com as restrições de bagagem.
Quem quiser compartilhar com mais links, sempre é bem-vindo a participar.
Outras companhias aéreas europeias que também se encaixam em "low-cost": Germanwings, Iceland Express, Aer Arann, Air Baltic, Air Berlin, entre outras.


Trem (não é barato viajar de trem):

- DB Bahn - A companhia de trem da Alemanha. Embora a companhia funcione somente na Alemanha, o site deles é o MAIS eficiente para encontrar trens por toda a Europa! Eles têm dados de trens de quase todos os países e ainda permitem que se escolha "somente trens locais" (no caso de utilizar um passe Eurrail, Interrail*, ou algum outro passe que seja válido em uma região específica) ou todos os trens (incluindo os trens de longuíssima distância ou super-rápidos que necessitam de reserva antecipada). Enfim, para encontrar rotas internacionais, é nesse site.
- Rail Europe - site para reserva de trens antecipadas. Você só vai necessitar este tipo de serviço se o trem for internacional (trechos que não possam ser feitos com trens locais). Reservas também podem ser feitas na própria estação de trem**.
- SNCF - trens na França.
- Renfe - trens na Espanha
- Trenitalia - trens na Itália
- Virgin Trains - trem no Reino Unido
- Polrail - trens na Polônia
- NS - trens nos Países Baixos

* Eurail e Interrail - são passes de trem que possibilitam diversas jornadas em um dia ou diversos dias, em um país ou diversos países. O Interrail é somente para cidadãos da Europa (não necessariamente UE) ou residentes há mais de 6 meses (com carteira ou algum documento de residente, portanto). Logo, o Eurail é o passe dos não europeus.
Este último deve ser feito antes da chegada na Europa, pois lá NÃO é possível fazê-lo (ou então ele pode ser enviado por correio). Além disso, é importante verificar os prazos de validade do bilhete, para que não vençam na época em que for ser validado (já no continente europeu). Infelizmente, ele também é um passe bem mais caro e limitado que o Interrail. O Eurail pode ser feito em agências de viagem ou mesmo pela internet.

Ônibus (low-cost):
- Megabus - empresa presente no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Através das promoções se consegue preços muito baratos.
- Eurolines - presente em muitos locais na Europa.
- Alsa - onde a Eurolines não alcança. Empresa de ônibus em Portugal e Espanha.

Ônibus de viagem tomei somente com estas três companhias, portanto não tenho conhecimento de outras de baixo custo.

Espero que sejam dicas úteis para quem vai viajar. Hasta luego!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


Fazem dois dias que voltei de Copenhagen. Sexta-feira de manhã alugamos um carro aqui na Alemanha e conduzimos por 7 horas rumo à capital da Dinamarca. Foram sete horas bem interessantes, levando em conta que foi a primeira vez que andei de carro na Alemanha. Além disso, as estradas são excelentes e eu não estava dirigindo.
Após cruzar a fronteira, o caminho fica ainda mais bonito. A Dinamarca é composta por ilhas, portanto cruzar as enormes pontes que cortam os estreitos do mar do Norte ao anoitecer (lá pelas 16h) pode ser deveras agradável.
Fazia um frio do do diabo (venta muito!) e os preços não são muito amigáveis. Mesmo assim, no curto tempo do fim de semana, conseguimos aproveitar a cidade e algumas das atrações turísticas [baratas].
Abaixo vão as sugestões do que ver na cidade. Basicamente um levantamento das coisas que eu fiz e que são padrão estudante [pobre].

- Walking tour: essa parece uma dica meio óbvia, já sei. Não são em todas as cidades que eu faço walking tour, mas quando se tem pouco tempo para ver muitas coisas, é sempre bom fazê-lo. Este em particular gostei muito, já que o guia contou brevemente a saga dos vikings, as proezas (que eu não sabia que haviam sido tantas) e as desgraças ocorridas ao longo da história do povo dinamarquês. Além disso, é gratis.

- Visita à fábrica da Carlsberg: recomendo a fábrica da Carlsberg assim como recomendo a fábrica da Heineken em Amsterdam. Para quem gosta de cerveja, vai ter a oportunidade de saber um pouco mais sobre o [bróder] Jacobsen, o senhor inventor da Carlsberg e de outras tantas marcas (inclusa uma das mais caras do mundo). A lojinha de souvenirs também é legal, e é possível comprar a cerveja.

- Christiania: para quem nunca ouviu falar, Christiania é uma comunidade independente dentro de Copenhagen. Em 1971, anarquistas, hippies, idealistas e artistas ocuparam uma região no subúrbio da cidade como forma de protesto contra o governo, iniciando assim, o que seria  hoje a comunidade Christiania, inspirada por ideais anarquistas.
Bom, a entrada nesta comunidade é livre. As casas são rústicas e é possível ver acampamentos em alguns locais. Nesta comunidade, a venda de cannabis é permitida, porém o uso de drogas fortes (como a heroína) é proíbido. Também é proibido tirar fotos, correr, porte de armas de fogo ou utilizar qualquer tipo de fogos de artifício. Os mercadinhos me lembraram um pouco de Camden Town, em Londres.
Enquanto caminhamos pela Pusher Street, existem grupos de "seguranças" do lugar, compostos por moradores. Eles ficam vigiando e gritando para os turistas desobedientes que é proibido tirar fotos. Não são muito simpáticos, de fato. Além disso, os vendedores de cannabis espantavam os turistas que vinham só de curiosos olhar suas ofertas, abrindo espaço para os clientes ~sérios~.
Existe uma certa tensão no ar que deixa a comunidade menos confortável [Diferente da tranquilidade de Amsterdam, onde a cannabis também é ~legal~]. Parece que estão, ou talvez de fato estejam, esperando que a qualquer minuto a polícia invada a rua e leve todos presos. Mesmo assim, as os visitantes não se intimidam e não deixam de caminhar pela comunidade.
A arquitetura pitoresca, os ideais anarquistas, a história e o mercado barato (diferente de Copenhagen) e outras curiosidades trazem famílias, crianças, velhinhos e todo o tipo de gente para conhecer. Infelizmente, só consegui tirar fotos da entrada e da saída, uma vez que avançar em direção ao bairro com a câmera na mão não seria possível. Aliás, em uma das saídas da cidade, há um letreiro bem grande escrito "você está voltando para a União Européia".


- A pequena sereia: o escritor desse conto é dinamarquês, então há uma estátua de sereia na beira do mar. Nada demais, mas o caminho até lá, ao lado do porto, é bem tri.

- Museus: são dois, o National Museum e o Viking Ship Museum. O primeiro é grátis, o segundo tem uma taxa pequena. Não consegui encontrar tempo para visitá-los, infelizmente.

- Noite: passamos duas noites em Copenhagen. A primeira noite, que eu só fiquei pelo centro e depois voltei pra casa, meu amigos foram num bar chamado Meat Market. Dizem que comparado com os outros preços da cidade, esse Meat Market é ~pagável~. 
Na segunda noite, e esta eu fui, fomos ao bar Rhino. Fomos levados para este bar por amigos dinamarqueses que encontramos através do CouchSurfing. Gente boa, todos eles! Sobre o bar, não é necessário pagar para entrar e quem quiser, apesar do espaço, pode dançar. Além disso a bebida não é tão cara como outros bares famosos da cidade, acho que vale a pena.
Aliás, foi nesse bar que vimos uma BRIGA VIKING! Tá, na verdade, foi uma briga normal. Começou com dois caras, um muito grande e um mais ou menos pequeno. Depois a briga foi se espalhando e quando vimos, já tinham uns 10 participando. Todos chamando uns aos outros na chincha. O ~evento~ durou uns 15 minutos e depois tudo voltou ao normal. Nossos amigos dinamarqueses ficaram nos pedindo desculpas e dizendo que isso não costumava acontecer com frequência, mas a verdade é que achamos bem legal. 

Domingo pela manhã recolhemos nossas coisas e voltamos a Alemanha. Existe duas formas de cruzar a fronteira, uma pela estrada (que foi como viemos) e outra pela balsa. A volta fizemos de balsa, para economizar gasolina e ver como é.

Finalizando com algumas curiosidades sobre a Dinamarca:
  • A rainha da Dinamarca que traduziu o livro do Senhor dos Anéis de inglês para dinamarquês.
  • Os dinamarqueses brindam com a palavra "skol", que significa o mesmo que "skull" em inglês (crânio). Essa expressão vem de uma antiga atividade viking que consistia em arrancar a ~tampa~ e o cérebro da cabeça dos seus inimigos e BEBER CERVEJA ali mesmo. Então eles levantavam os seus ~copos~ e diziam "skol". ---- "Saúde" é coisa de mulherzinha. "Tim-tim" então...
  • Os vikings chegaram na América do Norte 600 anos antes de Cristóvão Colombo.



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