segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Por fim chegou a data da minha partida. Foram 12 bons meses vividos intensamente no Velho Continente. Acho que está na hora de fazer um balanço do que foi feito, visto, conhecido e agregado. Fazer uma comparação entre os primeiros 6 meses de 2011 e os últimos 6, tendo em vista a grande diferença entre os dois países separados apenas por uma França.
                A começar, portanto, pela parte mais legal, o que eu vi e fiz aqui que mais me impressionaram. Quando digo “impressionar”, significo as situações destacadas por serem ou “lindas demais” (de beleza mesmo, explicitamente), ou um fator histórico muito importante (porque história e geografia são matérias que eu curto demais), ou por serem alguma experiência única que eu provavelmente não viveria no Brasil. A lista é larga, admito. Mas isso é uma coisa boa, certo?
                - Campos de concentração de Auschwitz I e II – os adultos diriam “mas que barbaridade, colocar o holocausto na lista” e a minha resposta seria “óbvio!”. A Segunda Guerra e o holocausto sempre soam como fatos históricos muito mais distantes do que realmente são para quem nasceu no continente americano 5 décadas após o ocorrido. A verdade é que somente visitando os campos – que são gratuitos e estão lá, do jeito que foram deixados pelos alemães – a gente consegue entender o que de fato foi vivido não só pelos judeus da Polônia, mas sim por judeus oriundos de uma série de países vítimas do nazismo na guerra. É triste, é tocante, mas é a realidade e está lá para ser visto.
                O campo II, gigantesco, foi deixado completamente intacto, exceto pelas câmaras de gás, que os próprios alemães explodiram com dinamite para apagar evidências do crime de guerra. O campo I, muito menor que o segundo, teve parte dele transformada em museu (o museu mais terrível que eu já visitei). Os campos são localizados na Polônia, cerca de 2h da cidade da Cracóvia. Pela onda de emoções causada por estes dois locais, eu os coloco em primeiro na minha lista.
                - Plitwice Lakes National Park – localizado na Croácia, bem no meio do caminho entre a cidade de Zadar e a capital Zagreb e na fronteira com a Bósnia. O parque é na verdade uma reserva natural que guarda lagos arranjados em cascatas. Melhor: são vários lagos, verdes, transparentes, cheios de peixinhos e patinhos e lindezas, em diferentes níveis de altitudes, gerando quedas d’água. São os lagos mais bonitos que eu já vi na vida. A entrada ao parque está sujeita à cobrança, mas vale muito a pena. O passeio inclui caminhada dentro da área verde, como uma trilha, pontes, cruzar cascatas, entrar em cavernas, tomar um barco, entre outras coisas. Infelizmente não é possível nadar. O parque é patrimônio mundial da UNESCO.
- Vulcão Vesúvio – localizado na Itália, o Vesúvio foi  vulcão que destruiu as cidades de Pompéia e Hecorlano, deixando apenas ruínas. Eu e meus companheiros de viagem brasileiros e mexcanos o subimos/”escalamos”. Eu achei que ia encontrar lava dentro da cratera, como nos desenhos, mas nem. O que tinha era só rocha, solo e poeira de vulcão. Embora as pessoas me digam que era óbvio que não haveria lava, pois um ser humano não sobreviveria se subisse à cratera, eu me decepcionei mesmo assim. De qualquer forma, entra na minha lista porque não é todo o dia que subimos num vulcão, não é verdade? Custava só 6 euros e a vista lá de cima é bem irada. Além disso, conseguimos umas fotos bacanas. As ruínas das cidades também são muito impressionantes (mesmo!) e as incluo aqui, em conjunto com o vulcão (Kit completo ruínas + vulcão).
                - Ilha de Capri – Eu não dava nada pra essa ilha. Porém, uma vez nela, me dei conta de que estava muito enganada. O mar tem uma cor entre azul e verde muito viva que eu nunca tinha visto na vida. A vegetação é densa em algumas partes e dá para fazer uma trilha bem interessante [e cansativa]. A parte “urbana” da ilha é composta por coisas caras: casarões que valem milhões, restaurantes caros, souvenirs que tem valor de barras de ouro que valem mais do que dinheiro, etc. Quando eu for rica, terei minha casa de passar o verão lá. A ilha é localizada no sul da Itália e muito fácil de chegar quando se está em Nápoles.
                - Me perder no sul da Bulgária de carro e cruzar a fronteira com a Macedônia – esta situação aconteceu por acaso nesse fim de semana passado. Com um carro alugado, tomamos alguma estrada errada após passar pela cidade de Blagoevgrad, na Bulgária e acabamos nos direcionando ao sul, ao invés de oeste. A verdade é que isso não nos incomodou em nada. Já estavámos muito satisfeito com a paisagem proporcionada pela Bulgária e tomando a estrada para o sul só tornou isso melhor. Era uma paisagem montanhosa, repleta de neve no pico, com rios correndo pelo vale.
                A Bulgária é um país onde o subdesenvolvimento é notável. Essa estrada que tomamos,  E79, é uma das maiores do país e mesmo assim, havia momentos em que o asfalto desaparecia e se tornava estrada de chão. Passávamos por dentro de vilarejos muito pequenos, onde as pessoas estavam vestidas tipicamente e seu meio de transporte era o burro marrom, comum naquela região. Bem rural mesmo MESMO. Fomos pegos de surpresa quando vimos ovelhas na estrada, sendo pastoreadas.
                Está na lista pela situação toda: montanhas, neve, ruralidade local e desconhecimento de turistas por parte da população, burros e ovelhas. Esse composto é magnífico, acreditem.
                - Estreito de Gilbraltar – praia de Tarifa, sul da Espanha. Algumas ruínas árabes em um trapiche que separam o verde e ondulado oceano Atlântico do azul Meditârreano. Parece um efeito de Photoshop ao vivo. Ao olhar para o horizonte, é possível enxergar terra e alguns morros. Isso porque, do outro lado do Meditâneo, somente a 13km de distância, está a cidade de Tanger, no Marrocos. Ou seja, o estreito tem esse nome por quase ligar o continente africano ao continente europeu. Além disso, faz a separação do Atlântico e dá “início” ao Mediterrâneo.

                - Aqueduto árabe – esse aqueduto fica em Granada, Espanha. O aqueduto ainda funciona, trazendo água do alto da montanha (que tem neve o ano todo) e desaguando num riozinho que corre ao lado da cidade. A água é bem transparente e limpa, e é possível entrar no aqueduto se quiser. Bem refrescante para o calor de 40ºC que fazia no momento. Dizem que o aqueduto árabe foi na verdade, uma cópia de um aqueduto romano existentes em outras cidades no sul da Espanha, porém os árabes o melhoraram muito em questão de eficiência. Tanto que funciona até hoje.
                - Warschauer strasse – Berlim underground. A Warschauer Strasse não é muito conhecida pelos turistas, embora haja Walking Tours que levam visitantes ali todos os dias. A aparência do lugar não é atrativa, na verdade, ali o tráfico de drogas é de certa forma intenso, o acumulo de lixo é grande e os moradores tem como vizinhos ratos do tamanho de cavalos. É um pouco sinistro sim. Por outro lado, se concentra ali muita arte urbana, que muitas vezes busca força em fatos político-sociais, devido a história recente do local. À noite, Warschauer Strasse, com sua reunião de clubs, bares e opções noturnas baratas, atrae gente de tudo que é tipo e que aprecia diversos estilo de música.
Mulherzinhas medrosas não são bem-vindas. Liberte o macho peludo que está dentro de você e vá fazer festa no melhor pico de Berlim. E não esqueça da faca para a peleia com os traficantes e do espeto  para fazer churrasco de rato.
                - Christiania – está é a cidade anarquista localizada dentro de Copenhagen, Dinamarca. Já escrevi um post sobre Christiania AQUI.
                As cidades que eu mais gostei de visitar, porém, não tem nada a ver com a lista acima. Por sinal, a minha seleção de cidades considerou fatores como quantidade de opções e possibilidades do que fazer (nota: fazer, e não ver), preço e obviamente experiência pessoal (que inclui pessoas que conheci). Nesta lista ocupam os três primeiros lugares as cidades de Edimburgo (Escócia), Budapeste (Hungria, e já digo que é a melhor cidade entre centro e leste Europeu) e Berlim (Alemanha). As duas últimas ganham pontos extras pela riqueza histórica recente e a primeira ganha pontos extras pela beleza.
                Poderia gastar um post inteiro para cada uma, logo não me prolongarei (a gente sempre fica esperando a chance de usar a mesóclise, mas com o “não” ali fica foda). Ainda haverá a parte 2 deste post e caso a minha falta de sucintidade fique comprovada, pode ser que haja uma parte 3.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Motivador para quem pretende visitar o Leste Europeu, desestimulante para quem pretende aparecer pelos países nórdicos. O Price of Travel enumerou as 40 cidades europeias mais visitadas, sendo a número 1 a mais barata e a número 40 a mais cara. A lista é bem conveniente para quem está planejando um mochilão pela Europa, além disso, o próprio site está repleto de dicas nesse sentido (como pode ser notado pelo nome).
Veja o post AQUI.
Quinta-feira eu embarco na minha última viagem aqui na Europa por 4 dias antes de voltar para o Brasil. Marcos e eu rumamos para Plovdiv, na Bulgária, onde vamos alugar um carro e percorrer o interior da Macedônia até a capital Skopjee; a partir daí tomamos um trem até Pristina, capital no novíssimo país Kosovo.
Buscando informações sobre os países balcãs (muitos deles recentemente formados, uma vez que eram parte da comunista Iugoslávia) e, sabendo da dificuldade que é encontrar informações da qualidade sobre eles, resolvi compartilhar esse link que o Marcos mesmo encontrou (sim, nesse caso tivemos que ir além do Wikitravel em inglês).
Aí está: http://www.balkanology.com/overview/index.html.

Além disso, meu amigo inglês Chris compartilhou um site bacana no meu mural do facebook, o Seat 61, que fornece informações sobre trens em toda a Europa.

    Sobre o Cosmopolitismo

    O Cosmopolitismo é um veículo que divulga oportunidades de intercâmbio acadêmico e de vivência da diversidade cultural.